Quando cheguei ainda havia o vermelho, o resto de sombra que dos teus
olhos se despregara, havia aquele torpor que incendiara os dias, havia a
imersão na pele, o visgo que se fizera em cada gesto, em cada ato de silêncio
desavisado.
Era assim, havia o rio a fluir em sua correnteza insondável, assinalando
os portos, assinalando as margens.
Quando cheguei ainda havia o corpo transitando enigmas, a rota de
descobertas que se inaugurara na saliva da língua, a sede que brotara nos
desvãos de uma geografia.
Quando cheguei ainda havia o instigante céu, aquele em que se condensara
uma única nuvem, o bulício de mãos, a imagem que se formara sob o fervor da
crisálida.