procura-me entre tuas chagas
no teu canto mais desavisado
na memória do coito impreciso
nestas tuas unhas de vermelho
que suspiram sangue e moléstia
procura-me, talvez, nos becos
na boca escancarada de tédio
nos olhos solitários da virgem
que oferece um sexo inaugural
como esta rua de chuva e lama
como atônito jardim sem função
procura-me nas vestes últimas
de tecido puído a se desintegrar
na pele desgastada de inventos
de tanta língua, ranhura e
vento
procura-me na sombra do porém
na circunstância deste assombro
o despertar de nuvem sem aurora
no cálido, no pálido, no
esquálido
procura-me e intenta-me no
rasgo
no corte, na víscera que se
expõe
tal qual esta algazarra sem
vozes
na tormenta, na procela,
mergulho
procura-me devagar que já escuto