mil e um poemas
Neste blog (serão) foram escritos 1001 poemas e mais alguns.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
1001 + 82 - Poema para uma concepção do belo
Uma bunda
Uma perna
Um jardim
Uma montanha
Uma árvore
Uma espádua
Um lábio
Um estuário
Uma estrela
Um coração
Uma ilha
Um promontório
Um cio
Um ócio
Um equinócio
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
1001 + 81 - Sonata de areia para vento bravio
Eu nunca soube do amor
Nem mesmo quando
Nos amávamos
Eu nada sabia
E na minha ignorância
De te amar
Eu nunca soube do amor
Nem mesmo quando
Nos rendíamos
As saliências da pele
Eu nada sabia
E enquanto diviso o horizonte
E recolho no alforje
Uns girassóis assustados
O vento me sussurra
Que eu nunca soube do amor
Eu nunca soube do amor
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
1001 + 80 - Poeminha para fina caligrafia
Tudo se torna canção
Uma pedra
Uma nuvem
A solidão
Dois olhos
Um silêncio
Um hiato
Ou um afago
Tudo se torna canção
Mesmo que a
Palavra cansada
Diga não
Duas ruas
Um perímetro
Ou aquilo que
Não se acentua
Tudo se torna canção
Um mínimo
Um acontecimento
A lua e o cão
Duas pontes
Uma travessia
Um vão
Talvez sim ou não
terça-feira, 12 de novembro de 2013
1001 + 79 - Poeminha de nenhuma ou múltiplas faces
Tenho semelhança com orvalho
Abraço a festividade de rio
Fico inteiro passarinho
E assim, copioso de aparências
Adormeço tardio de esquecimento
domingo, 15 de setembro de 2013
1001 + 78 - 1 decálogo/1 tábua/1 pedra
I
1 poema nasce
Assim na noite
1 poema cresce
Assim na noite
1 poema morre
Assim na noite
II
1 poema
1 equívoco
1 sonho
Assim na noite
III
1 poema
1 cigarro
1 abraço
Assim na noite
IV
1 poema
1 sede
1 esquecimento
Assim na noite
V
1 poema
1 flor
1 silêncio
Assim na noite
VI
1 poema
1 azar
1 ausência
Assim na noite
VII
1 poema
1 átimo
1 sopro
Assim na noite
VIII
1 poema
1 salto
1 precipício
Assim na noite
IX
1 poema
1 eu
1 nada
Assim na noite
X
1 Fim
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
1001 + 77 - Ária de estertor para contralto profundo
Ela não mais virá
Com citações da Hilda
Ou poemas de Leminski
Há agora este real flamejante
O diário íntimo do cotidiano
A febre do fazer, estar, resistir
Este apelo cruel da existência
Dos duodécimos bancários
A contabilidade do pão, do leite
Ela não mais virá
Contemplar os mortos da página
A remissão do silêncio e das palavras
sábado, 3 de agosto de 2013
1001 + 76 - Instruções normativas para um breviário de nadas
Não escolha caminhos
Não deseje palavras
Dê as costas para ausências
Não discuta com o silêncio
Escolha árvores escuras
Converse com peixes ávidos
Esqueça gramática e dicionários
Cultive a lucidez dos vaga-lumes
Deixe aflorar a demência no verso
Compartilhe pedras e cigarras
E se tudo isso não der em ruína
Comece a temer a surdez dos vegetais
p.s. “sobre o nada eu tenho profundidades”
Manoel de Barros
segunda-feira, 24 de junho de 2013
1001 + 75 - a primeira vez que estive em ti
ventou em moinhos o coração
fez calmaria e temporal
na mesma perdição
me perdi em tanta pele e mãos
a primeira vez que estive em ti
não cabia de soluços a solidão
sexta-feira, 14 de junho de 2013
1001 + 74 - Acendendo a vela para Dario com um cigarro (com um cigarro acendendo a vela para Dario)
p/ Dalton Trevisan
hoje vário silêncio me acompanha
feito a solidão de um anjo morto
na castidade do olhar
hoje me acompanha silêncio vário
feito um anjo morto da solidão
no olhar da castidade
segunda-feira, 10 de junho de 2013
1001 + 73 - Fragmento desperto para remendo em corda de violão II
Este amor que atravessa comigo
Carrega um deserto
O suplício de uma sede
Nem mesmo teu silêncio pode matá-lo
quinta-feira, 6 de junho de 2013
1001 + 72 - Sonata para pergaminho e renda branca
andávamos, andávamos
era só isso o que queria
até o peito pulsar vazio
um sopro no precipício
e as veias sonolentas
rebentassem atônitas
andávamos, andávamos
em nenhum bar caberia
nenhum cigarro suficiente
até as mãos se cruzarem
o gesto apenas esboçado
perdido olhar em extravio
andávamos, andávamos
nada na palavra perseguia
nenhum sorriso benfazejo
tudo que não mais queria
até a sílaba colidir o verso
até o passo quedar imerso
andávamos, andávamos
não saberia dizer a cidade
mas havia o poeta, a praça
o rumor dos transeuntes
o incessante fluir de vozes
um vácuo vindo dos lábios
Na Revista Pessoa
segunda-feira, 3 de junho de 2013
1001 + 71 - outra receita para brindar amores aziagos
1 poema de rimbaud
ou
1 ácido verso de piva
1 episódio de new york stories
(lições de vida)
1 cabernet sauvignon
cem anos de solidão
a whiter shade of pale
no volume máximo
*Poemas meus na
revista Pessoa
com ilustração de Lelena Terra e curadoria de Luiz Ruffato.
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