depois que ela se foi com as intempéries de agosto
eu fiquei com esta face em desalinho: os pés atados
caminho sobre pedras como se em lanças afagasse
tenho dito as cotovias que nenhum canto nos salva
mas elas insistem e eu fico atônito entre sustenidos
outro dia lagartos deram de açoitar versos e estrofes
queriam o sabor das auroras em germinação estéril
depois que ela se foi com as intempéries de agosto
meus instintos se arvoraram em verbo ensandecido
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
672 - variação para cello e oboé em agreste rapsódia
tão sutil o visgo dessa sede
seiva que escorre em lábios
eu querendo florir a tua pele
voce esquiva em pas de deux
aprendiz estágio de purificação
corpo em sublimação de altura
não fosse o casulo que me cala
não fosse desatino ao derredor
seiva que escorre em lábios
eu querendo florir a tua pele
voce esquiva em pas de deux
aprendiz estágio de purificação
corpo em sublimação de altura
não fosse o casulo que me cala
não fosse desatino ao derredor
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
671 - Cantata em rito para novena de sete noites
é preciso acolher tempo e silencio
sou rio nessa empreitada de mar
e os olhos deram de acender nuvens
vejo girassóis em abóbadas e auroras
assim me alimento de contemplação
mesmo vazio pesam-me as algibeiras
deve ser o estranhamento que carrego
sou rio nessa empreitada de mar
e os olhos deram de acender nuvens
vejo girassóis em abóbadas e auroras
assim me alimento de contemplação
mesmo vazio pesam-me as algibeiras
deve ser o estranhamento que carrego
terça-feira, 9 de agosto de 2011
670 - rapsódia de alumbramento para gioconda ao arrebol
seria imperioso que os teus olhos passassem
com esse jeito desconexo de fitar o desalinho
como se a coisa mirada estivesse embebida
numa aura de equidade entre os hemisférios
seria imperioso que os teus olhos filtrassem
a maresia que contamina o espelho do asfalto
reflexo de rotas e extravios, obituário de sais
e ficassem no lusco-fusco que atrai mariposas
seria imperioso que os teus olhos declinassem
de toda a singeleza que envolve as cartografias
e de repente altiplanos, horizontes e metáforas
fossem apenas precípuo para o alumbramento
com esse jeito desconexo de fitar o desalinho
como se a coisa mirada estivesse embebida
numa aura de equidade entre os hemisférios
seria imperioso que os teus olhos filtrassem
a maresia que contamina o espelho do asfalto
reflexo de rotas e extravios, obituário de sais
e ficassem no lusco-fusco que atrai mariposas
seria imperioso que os teus olhos declinassem
de toda a singeleza que envolve as cartografias
e de repente altiplanos, horizontes e metáforas
fossem apenas precípuo para o alumbramento
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
669 - rapsódia incômoda para extravio e embaraço
algum tempo acreditei na pele como atavio
e que a têmpera dos anos fosse delineando
o descaminho que flora na carne os sentidos
mas sob o impacto dessa chaga que me arde
diviso a luz que trespassa os corpos em sede
sei que a aurora fenece sem alarde e encanto
hoje tenho as mãos enredadas em solilóquio
nenhuma sombra acompanha-me de acalanto
nenhum canto suprime a inutilidade do existir
e que a têmpera dos anos fosse delineando
o descaminho que flora na carne os sentidos
mas sob o impacto dessa chaga que me arde
diviso a luz que trespassa os corpos em sede
sei que a aurora fenece sem alarde e encanto
hoje tenho as mãos enredadas em solilóquio
nenhuma sombra acompanha-me de acalanto
nenhum canto suprime a inutilidade do existir
domingo, 7 de agosto de 2011
668 - rapsódia desencontrada para estados químicos dos corpos
não guardei os caminhos que me trilhaste
mas as intempéries trago-as triste
o sol em destempero neste agosto
esta vontade de lua cheia
acende lume nos invertebrados
cada toque arisca a pele em chagas
tu não me ensinaste apascentar a chama
queimam-me os sóis em querelas
nem os peixes se refrigeram em líquido
mas as intempéries trago-as triste
o sol em destempero neste agosto
esta vontade de lua cheia
acende lume nos invertebrados
cada toque arisca a pele em chagas
tu não me ensinaste apascentar a chama
queimam-me os sóis em querelas
nem os peixes se refrigeram em líquido
sábado, 6 de agosto de 2011
667 - metaplágio para tempestades de início do verão
acaso tu sabes dos percalços
que imantas em meus olhos
quando desavisada
irrompes neste silencio
e todo o mundo se concentra
no achado das tuas mãos
e todas as órbitas
giram desencontradas
e eu no mais fundo sacrilégio
mergulho em prece
neste infindo precipício
de línguas, bocas e peles
que imantas em meus olhos
quando desavisada
irrompes neste silencio
e todo o mundo se concentra
no achado das tuas mãos
e todas as órbitas
giram desencontradas
e eu no mais fundo sacrilégio
mergulho em prece
neste infindo precipício
de línguas, bocas e peles
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
666 - metapoema assustado à guisa de portos cardeais
ao oeste do que me vive
comove o verso que leste
és meu norte por todo sul
mesmo em sol quando suo
intuo de arroubo o sumo
da palavra atada ao cais
para subverter da sílaba
vértebra nua em voo cego
* A Dani me fez feliz oferenda aqui
comove o verso que leste
és meu norte por todo sul
mesmo em sol quando suo
intuo de arroubo o sumo
da palavra atada ao cais
para subverter da sílaba
vértebra nua em voo cego
* A Dani me fez feliz oferenda aqui
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
665 - prosa rasa para rútilo cintilar
a poesia escoiceia a didática
obcecada pela ânsia do espanto
ruge aos sentidos em oferenda
para fluir trôpega na vertigem
lamber os parágrafos da língua
improvisar um rito de assombro
saciar assim o céu de elevação
obcecada pela ânsia do espanto
ruge aos sentidos em oferenda
para fluir trôpega na vertigem
lamber os parágrafos da língua
improvisar um rito de assombro
saciar assim o céu de elevação
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
664 - estudo para étimo consoante aboio na caatinga
por pura assepsia retiro a palavra estéril
deste dicionário idiossincrático que velo
como velam o cuspe sonoras carpideiras
como os velhos velam o tempo da espera
também seria a palavra reverencia retirada
por pura simbologia ao dicionário que velo
como velam as árvores na paisagem tardia
como os ventos imolam o casco do navio
seria de bom alvitre por fastio em retirada
pelo que se denota a acepção da palavra
numa espécie de cansaço, fadiga, afronta
numa inércia que deixa repousar o volátil
deste dicionário que velo o silencio bastaria
como flecha para atingir todos os sentidos
como manto para tingir o véu de toda face
como um acalanto para tanger o intangível
*Bate-papo comigo no blog do Gustavo
deste dicionário idiossincrático que velo
como velam o cuspe sonoras carpideiras
como os velhos velam o tempo da espera
também seria a palavra reverencia retirada
por pura simbologia ao dicionário que velo
como velam as árvores na paisagem tardia
como os ventos imolam o casco do navio
seria de bom alvitre por fastio em retirada
pelo que se denota a acepção da palavra
numa espécie de cansaço, fadiga, afronta
numa inércia que deixa repousar o volátil
deste dicionário que velo o silencio bastaria
como flecha para atingir todos os sentidos
como manto para tingir o véu de toda face
como um acalanto para tanger o intangível
*Bate-papo comigo no blog do Gustavo
terça-feira, 2 de agosto de 2011
663 - repentino ávido para lumes do arrebol
há um assombro de impaciência
sob a tênue luz dos vagalumes
quando teus passos se deslocam
e fito fixo esse espelho que me és
destino inexorável, risco de tristeza
sob a tênue luz dos vagalumes
quando teus passos se deslocam
e fito fixo esse espelho que me és
destino inexorável, risco de tristeza
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
662 - repentino casto para amoras, violas e oboés
para decompor-se
em fidalguia no teu olhar
urge a aurora de assombros
anuncia-se o sobressalto de luz
o jasmim refrigera-se no orvalho
enquanto do outro lado da moeda
acena-me o infortúnio das tuas mãos
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