enlouqueço a cada acorde do teu olhar
seja aceito, seja açoite, seja noite,
seja assim o que for ou o que não há
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
30 - a uma dádiva do olhar
quero consumir ainda a aurora
vê-la escorrer em lábios
vê-la translúcida em raios
enquanto o mar suga o instante
impreciso do encontro na areia
vê-la escorrer em lábios
vê-la translúcida em raios
enquanto o mar suga o instante
impreciso do encontro na areia
terça-feira, 10 de novembro de 2009
29 - improviso em si, em fuga
a angústia desses passos
vaga insone na madrugada
feito a solidão de um verso
vaga insone na madrugada
feito a solidão de um verso
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
28 - poema de quase inspiração
Deixai-me com meus vocábulos moucos
nesta clareira de gestos e máculas
pois vejo a fécula febril a fecundar
na sofreguidão, teus vaticínios roucos
nesta clareira de gestos e máculas
pois vejo a fécula febril a fecundar
na sofreguidão, teus vaticínios roucos
domingo, 8 de novembro de 2009
27 - poema para sempre-vivas no primeiro raio da manhã
dentre tantos entretantos
foram horas se passando
eu tonto em meus devaneios
e a impassível luz em teu seio
foram horas se passando
eu tonto em meus devaneios
e a impassível luz em teu seio
sábado, 7 de novembro de 2009
26 - em outrora, quando havia
na disparada da ladeira
cresceu o vento nas pernas
subiu um redemoinho
e já se foi eu menino
saboreando mangas e manjar
cresceu o vento nas pernas
subiu um redemoinho
e já se foi eu menino
saboreando mangas e manjar
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
25 - poema que li em qualquer lugar
perdeu-se o bonde de ir embora
faíscas do tempo criam raizes
a pele aplaca o metal da dissídia
e somos para sempre felizes
como nesta foto da escrivaninha
faíscas do tempo criam raizes
a pele aplaca o metal da dissídia
e somos para sempre felizes
como nesta foto da escrivaninha
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
24 - uma historinha
de quando em vez
há solidão demais
à minha volta
de quando em vez
permito o tumulto
deste silêncio tosco
de quando em vez
dou espaço ao espanto
como agora
há solidão demais
à minha volta
de quando em vez
permito o tumulto
deste silêncio tosco
de quando em vez
dou espaço ao espanto
como agora
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
23 - canção de enganar o vento II
eu bem te disse que havia desvios
e nem todo caminho leva ou conduz
que as flores na ribanceira pendem
se ruflam e se riem daquele abismo
eu bem te disse pequenas verdades
tolas todas em formato de petiscos
embrulhadas em papel fino e barato
feito sortilégios de alguma cigana
eu bem te disse e fiz disso oferenda
como esse corpo vazio que se esquece
esse destino sem rotas, sem bússola
o tropego desafio de querer resistir
eu te disse quase tudo que já sabias
e lancei ancora neste terno desterro
valseando em velas e quilhas e portos
sendo relâmpago inútil do que é pouco
e nem todo caminho leva ou conduz
que as flores na ribanceira pendem
se ruflam e se riem daquele abismo
eu bem te disse pequenas verdades
tolas todas em formato de petiscos
embrulhadas em papel fino e barato
feito sortilégios de alguma cigana
eu bem te disse e fiz disso oferenda
como esse corpo vazio que se esquece
esse destino sem rotas, sem bússola
o tropego desafio de querer resistir
eu te disse quase tudo que já sabias
e lancei ancora neste terno desterro
valseando em velas e quilhas e portos
sendo relâmpago inútil do que é pouco
terça-feira, 3 de novembro de 2009
22 - canção de enganar o vento
o teu corpo acena reentrancias
que empalidecem a alma ingenua
onde brotam designios e olores
que te deixam flor se tu fores
que empalidecem a alma ingenua
onde brotam designios e olores
que te deixam flor se tu fores
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
21 - Manual de sobrevivência para insetos e afins
A terra revolvida
O areal da memória
Os restos e a escória
O areal da memória
Os restos e a escória
domingo, 1 de novembro de 2009
20 - Poema das perdidas ilusões
naquele centro
havia o cetro
e que toda a sua
realeza emanava
eu ficava
feito o vento
que sobre o
encantamento
pairava
havia o cetro
e que toda a sua
realeza emanava
eu ficava
feito o vento
que sobre o
encantamento
pairava
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