p/Gerana Damulakis que instigou
Amanheceste em mim
como um lírio atormentado
cheia de renúncia ao querer
eu fiquei tecendo quimeras
implorando a luz do arrebol
até que viesses sem pressa
despir o silêncio desse agora
sábado, 12 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
60 - Canção de bem-me-quer
Não te pedirei em silêncio
A alegoria desse encanto
Preciso fazer ouvir alarido
Despertar sons no instante
Não te pedirei em auroras
Para vires esculpir os dias
Vivo a brisa destes passos
O reticente pulsar dos olhos
A alegoria desse encanto
Preciso fazer ouvir alarido
Despertar sons no instante
Não te pedirei em auroras
Para vires esculpir os dias
Vivo a brisa destes passos
O reticente pulsar dos olhos
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
59 - Poema de correnteza
Dos meus rios que vingam instantes
Sobram súbitas pedras em avalanche
Emaranham-se peixes à minha rede
Dão-me salto por sobre a correnteza
Cortam em lençóis que divagam ilhas
Súbitos redemoinhos e uns alvoroços
Paragens de encostas, nuas margens
Turbilhão que soçobra rude naufragar
Sobram súbitas pedras em avalanche
Emaranham-se peixes à minha rede
Dão-me salto por sobre a correnteza
Cortam em lençóis que divagam ilhas
Súbitos redemoinhos e uns alvoroços
Paragens de encostas, nuas margens
Turbilhão que soçobra rude naufragar
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
58 - AUTO-CONTRASTE II
O rio consome a água
Como a veia consome o sangue
Como o sertão consome a enxada
Como a vida consome o dia
A resma consome a folha
Como o enxame consome a abelha
Como a tribo consome o índio
Como o cardume consome o peixe
O vento consome o sopro
Como a ilha consome o mar
Como o fogo consome a água
Como o amor consome a dor
A palavra consome o verso
Como a rima consome a estrofe
Como a língua consome o verbo
Como o espírito consome o corpo
Pouco a pouco
Pouco a pouco
Como a veia consome o sangue
Como o sertão consome a enxada
Como a vida consome o dia
A resma consome a folha
Como o enxame consome a abelha
Como a tribo consome o índio
Como o cardume consome o peixe
O vento consome o sopro
Como a ilha consome o mar
Como o fogo consome a água
Como o amor consome a dor
A palavra consome o verso
Como a rima consome a estrofe
Como a língua consome o verbo
Como o espírito consome o corpo
Pouco a pouco
Pouco a pouco
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
57 - Poema de encantamento
A dama de todas as telas e teias
insinuava-se em aulas de anatomia
em que era a primeira a se despir
enquanto me fitavam outros vestidos
eu não percebia que havia a mudez
daquele sexo embevecido de claridade
insinuava-se em aulas de anatomia
em que era a primeira a se despir
enquanto me fitavam outros vestidos
eu não percebia que havia a mudez
daquele sexo embevecido de claridade
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
56 - Poema de uns nadas rudes
Inda tonto de tanto encanto
Vaguei vário de indolência
Da penitência e resguardo
Do teu soluço embriagado
Na antevéspera do abraço
A derramar clarão e alarido
Vaguei vário de indolência
Da penitência e resguardo
Do teu soluço embriagado
Na antevéspera do abraço
A derramar clarão e alarido
domingo, 6 de dezembro de 2009
55 - Elegia de desamor
No desassossego da manhã
Recolho os cristais da pele
Recolho a virgindade do ar
Respiro nele teus vestígios
Sou a solidão no teu espírito
Parte desabitada desses nós
O rio que não flui da tua foz
O silêncio plácido da tua voz
Dos quereres que não fostes
Me ficaste o imã de um visgo
Fio na carne que não sangra
O gozo de mácula da paixão
Recolho os cristais da pele
Recolho a virgindade do ar
Respiro nele teus vestígios
Sou a solidão no teu espírito
Parte desabitada desses nós
O rio que não flui da tua foz
O silêncio plácido da tua voz
Dos quereres que não fostes
Me ficaste o imã de um visgo
Fio na carne que não sangra
O gozo de mácula da paixão
sábado, 5 de dezembro de 2009
54 - Poema de além mar
Calha-me vontade de ir ao mar
Sorver reminiscência vindoura
Rever-me no cais, nestas ondas
Aportar vazio em tristes tragos
Calha-me a vontade de pessoas
Infinitas em múltiplas finitudes
De faces ligeiramente doiradas
Inocentes em suas teatralidades
Calha-me a vontade de uma sorte
Especial e bem vinda no sortilégio
Como quando a vi se desnudando
E não deste conta do desassossego
Sorver reminiscência vindoura
Rever-me no cais, nestas ondas
Aportar vazio em tristes tragos
Calha-me a vontade de pessoas
Infinitas em múltiplas finitudes
De faces ligeiramente doiradas
Inocentes em suas teatralidades
Calha-me a vontade de uma sorte
Especial e bem vinda no sortilégio
Como quando a vi se desnudando
E não deste conta do desassossego
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
53 - poema dos significados
sempre me encantou a palavra caravana
desde que a vi incrustada feito sonho
num poema antigo que nunca me esqueci
sempre me pareceu de sentido peregrino
repleta de areia no deserto domesticado
forjada no lombo e na ânsia de um povo
desde que a vi incrustada feito sonho
num poema antigo que nunca me esqueci
sempre me pareceu de sentido peregrino
repleta de areia no deserto domesticado
forjada no lombo e na ânsia de um povo
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
52 - canção de queixumes
de fato antevejo a dor
que porventura possa vir
doí-me o fado de existir
e de repetir versos assim
ser outra pessoa do Pessoa
encontrar eco senão em mim
de fato soa triste a querela
deste estar e não estar indo
deste passar, passar, infindo
que porventura possa vir
doí-me o fado de existir
e de repetir versos assim
ser outra pessoa do Pessoa
encontrar eco senão em mim
de fato soa triste a querela
deste estar e não estar indo
deste passar, passar, infindo
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
51 - elegia tosca
venho de uma cidade sem vestes
despida por carmins e ciprestes
tão gentil com quem marca a pele
tão rude a quem lhe oferece grão
recuso abandoná-la em sua sina
de teimosia, perfídia e incesto
perdida em seus ofícios de pólis
no ventre vil do frio ostracismo
despida por carmins e ciprestes
tão gentil com quem marca a pele
tão rude a quem lhe oferece grão
recuso abandoná-la em sua sina
de teimosia, perfídia e incesto
perdida em seus ofícios de pólis
no ventre vil do frio ostracismo
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
50 - outro poema sem título
evito o escárnio dos lábios
mas saboreio doce de língua
assim, quando vires o joio
separe os trigos da intriga
não penses que sempre passo
às vezes fico suficientemente
como a luz disforme pairando
languidamente pelas esquinas
mas saboreio doce de língua
assim, quando vires o joio
separe os trigos da intriga
não penses que sempre passo
às vezes fico suficientemente
como a luz disforme pairando
languidamente pelas esquinas
Assinar:
Postagens (Atom)