Eu vos saúdo, imorredoura sonolencia das horas
Sobre ti acumulo o fardo de redes em tempestade
Sobre ti lanço armadilhas para colheita dos ventos
Os peixes já não habitam esta sala onde adormeço
Eu vos saúdo pois a ti devoto este ócio de maresia
Esta incessante navalha que corta feito leme torto
Que singra as vagas em busca de oferenda do céu
Eu vos saúdo pois a tudo acolho neste abraço ateu
Eu vos saúdo, imorredoura sonolencia das horas
Já desenhei nesta tarde os epitáfios dos girassóis
Os moinhos gemem com as águas que se acoitam
Aqui balouça o coração, rasga-me o peito e extirpa