domingo, 23 de setembro de 2012

1001 + 12 - Ensaio para aves astutas, assustadas com o sibilo do canto


“Temos a arte para não morrer da verdade”
Friedrich Nietzsche

Não sei por que razão coleciono
estragos, abismos, desvios
Tenho uma inata propensão ao silêncio
Quando me olham eu enrubesço
Mas na maioria das vezes sou invisível
Nunca me atraso, nunca me esqueço
Estou sempre atento, cordial, solícito
Com um interesse imediato aos afetos
Cultivo a arte de não morrer de tédio
De disfarçar a verdade com o sorriso
De oferecer possibilidade ao encontro
Afora isso não há nada de precioso,
De virtudes graves, apenas melancolia
Uma terrível e imensa melancolia

11 comentários:

Lídia Borges disse...


Poderia ter escrito este poema, se fosse capaz de encontrar palavras tão íntimas do sentir.

"Apenas melancolia
Uma terrível e imensa melancolia"

Um beijo

Ingrid disse...

na arte eternizamo-nos..
belíssimo sempre Assis..
beijos..

Leonardo B. disse...


[como se tudo tão vão ou tudo tão grave; para essa arte de quem se alimenta do tempo, o remédio tarda.]

um imenso abraço, Amigo Assis

Leonardo B.

Eurico disse...

Cada palavra posta cuidadosamente em seu lugar, ritmada e saborosa. Poesia pura, rara, sóbria e bela.

Abç, Poeta.

Isabella disse...

Fez um longo tempo que não passei por aqui e durante pouco tempo lendo este poema me surpreendi! Nietzsch é um grande inspirador pra mim e encontrei palavras aqui que eu já sofri... Bom domingo pra você!

Bípede Falante disse...

verdade verdade
verdade verdade
verdade verdade
verdade verdade
verdade verdade
verdade verdade !!!!!!!!!!!!!!!!!

Pablo Rocha disse...

Isso é viver. Uma sensação de incompletude que jamais se acaba. Faz parte de nós. Fazemos e somos pra alcançar algo que prevê nossos movimentos feito ums sombra. No fim precisaremos de algo a mais.

Abraço!

Cecília Romeu disse...

Assis,moço-poeta!

Silêncio e melancolia, dois centímetros para o infinito da poesia.

Beijos!

Cris de Souza disse...

Visível é a tua maestria! Poeta da tua categoria, dá pra ler com o terceiro olho.

Anônimo disse...

Leve-me nas asas da imaginação e deixa o pensamento vagar... E então o amor e a magia, nos faz sonhar... Teus poemas são luxuosos, dignos de tapetes vermelhos e pétalas de rosas. Muito lindo!!! Abraços.

Valdenir Cunha da Silva

Lily disse...


Muito belo!

Compartilhei no FB, se me permite.

Suzana Guimarães/Lily