quinta-feira, 29 de novembro de 2012

1001 + 28 - Fragmentos de uma viagem para escapar do inferno (ou lendo Bukowski ao som de black-bird)


p/ Marcelo Novaes

eu também sou louco
meu pássaro azul
me adornam pedras
e palavras
não faço esforço
para o útil
rumino uns nadas
dou vistas às cores
encanta-me o triste
aquilo que cintila
esgrimo florescência
habito a casa púrpura
a solidão dos párias
meu melhor poema
jaz no mimeógrafo
não tenho motivos
vivo ecoando o oco
meu pássaro azul
não sei a que horas
se fornica em berlim
há versos pendurados
em meus calcanhares
mas não sei o destino
que posso dar-lhes
os belos já morreram
rimbaud, janis, dean
as borboletas bailam
nas cicatrizes da pele
estou velho para
a impossibilidade e
uma trilha para seguir
mas observo seios
desejo pernas e lábios
onde jamais estive
meu pássaro azul
será que o silêncio
exala sempre poesia?

5 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Vale apenas suspirar? Ahhhhhhh!!!
Beijos,

Joelma B. disse...

eu também suspirei!!

beijo!

Adriana Godoy disse...

Maravilhoso, Assis. O Novaes sabe desse poema? Beijo

eurico portugal disse...

há casas que não habitamos; parece que nos habitam, que sempre estiveram cá, como as coisas primeiras.

abraço!

Anônimo disse...

..Adorei..instigada pelo meu estado interessante, minha sensibilidade ficou contagiada por ese poema, parabéns!!!! (Jakeline Bogéa)