terça-feira, 22 de janeiro de 2013

1001 + 41 - à guisa de um exercício para abandono


para Nydia Bonetti

com quantos corpos se faz a solidão
com quantos mares se traga o amor
com quantas esperas se bebe a dor

para quantas margens convergem
o alvoroço de pétalas, o voo silente
repentino de sílaba que não alvorece

as coisas que se escondem enfermas
como a ária antiga esquecida na voz

com quantos anseios se rasga o peito
se o abandono é olor que beija a pele

7 comentários:

Primeira Pessoa disse...

o abandono é uma das piores invenções do homem, zé de assis.
mas ele, o abandono, não chega nas canelas da solidão convivida.
essa sim, a madrasta de todas as solidões.

abração,
r.

Adriana Riess Karnal disse...

glupt, q poema.

Wanderley Elian Lima disse...

Perguntas sem respostas, apenas devaneios.
Abraço

Tania regina Contreiras disse...

para quantas margens se convergem
o alvoroço de pétalas, o voo silente
repentino de sílaba que não alvorece...

Isso é Assis, isso é poesia, isso arrepia!

Beijos,

Álly Ferreira disse...

Fiquei triste ao ler, pois me remeteu a experiências pessoais...

"as coisas que se escondem enfermas
como a ária antiga esquecida na voz"

vaguei por esses versos.

Verso Aberto disse...

na dimensão do silêncio das palavras que no amor se vão

abs mano Assis

eurico portugal disse...

soubéssemos nós as respostas e o abandono se faria fera amansada e os poetas os feiticeiros dos homens.

abraço!