quinta-feira, 6 de junho de 2013

1001 + 72 - Sonata para pergaminho e renda branca


andávamos, andávamos
era só isso o que queria
até o peito pulsar vazio
um sopro no precipício
e as veias sonolentas
rebentassem atônitas

andávamos, andávamos
em nenhum bar caberia
nenhum cigarro suficiente
até as mãos se cruzarem
o gesto apenas esboçado
perdido olhar em extravio

andávamos, andávamos
nada na palavra perseguia
nenhum sorriso benfazejo
tudo que não mais queria
até a sílaba colidir o verso
até o passo quedar imerso

andávamos, andávamos
não saberia dizer a cidade
mas havia o poeta, a praça
o rumor dos transeuntes
o incessante fluir de vozes
um vácuo vindo dos lábios


10 comentários:

Luiz Eurico disse...

flanar, deambular, arruar... tendo por bússola a poesia e o Poeta, por companhia...

Tania regina Contreiras disse...

...até a sílaba colidir o verso! Tuas imagens transportam-nos espetacularmente...

Beijos,

John L.S. disse...

Ótimo texto, muito bom!

Wanderley Elian Lima disse...

Inquietude e ansiedade.
Abraço

eurico portugal disse...

o homem e todas as cidades, todas as ruas, todas os cigarros de dedos queimados, o homem e a espera... mesmo quando andávamos...

abraço!

Adriana Godoy disse...

que lindo, assis! a última estrofe então...comovente.

"não saberia dizer a cidade
mas havia o poeta, a praça
o rumor dos transeuntes
o incessante fluir de vozes
um vácuo vindo dos lábios"

havia ainda alguma possibilidade.

beijo

Cissa Romeu disse...

Assis,
por vezes os lugares nos habitam, e já nem moramos mais no nosso corpo.

Muito belo!
Grande beijo!

Verso Aberto disse...


nenhum bar
nos saberia
não fosse o andar
em poesia

abs Assis

Lídia Borges disse...


Um andar assim, leva-nos!


Um beijo

Cris de Souza disse...

Infindável!!!