sexta-feira, 26 de novembro de 2010

410 - Diálogo para contemplar um fim de tarde

                                      p/ Pedro Ramúcio

Tragam-me dois ou três fardos de existencia
Para que os girassóis poetizem a ordem do dia
Que o mundo já não se cabe em dessemelhança
Eu mesmo, que ando torto em véspera de olhar,
Principio a me perder na sinuosidade do vento

Outro dia um amigo disse que andava em sustos
Temia a retidão das pedras e vivia a por adornos
Repliquei que assim é o descompasso da estrada
As coisas se decompõem antes da sua completude
Só passarinhos cantam eternos em sumiço de laço

19 comentários:

Mai disse...

E fica o canto eternamente...
Um canto geral em todos os cantos.

você reinventa o verso e eu adoro isto.

bjo

Malu disse...

Assis,


Que no compasso e descompasso da vida , passarinhos te encantem.


BjO.

nydia bonetti disse...

Por aqui, tudo se contempla e já nem importa a decomposição inevitável das coisas. Agarro-me ao canto breveterno dos passarinhos no entorno do lago, e sobre. beijo, assis.

betina moraes disse...

assis,

acho que sou como o seu amigo, seu verso é para mim um adorno que me permito por, contra a retidão das pedras.

:)


um beijo, de fã.

Everson Russo disse...

Que esse fim de tarde tenha o tom da canção e os tons das mais belas cores,,,abraços de bom final de semana pra ti amigo.

Dario B. disse...

Por mais que se adorne, o descompasso permanece, poeta. A finitude insiste, sinuosa como o vento. Forte abraço.

Lau Milesi disse...

..."Passarinhos" cantam eternos em sumiço de laço...
Poeta Assis,você colhe, poda, rega, renova as palavras e só sai coisa linda.

Um beijo e bom fim de semana.

Posso dar uma sugestão? Faça um poema para a Lua.

Eurico disse...

Talvez seja próprio das coisas a incompletude, Poeta,
mas, como as tardes que se morrem e sempre voltam, renovadas, as coisas se decompõem para se recompor em outras possibilidades...

Abraço

Lara Amaral disse...

Assis, é bom te ler, poder sorrir ao vir aqui, porque é sempre isso que acontece, abro um sorriso. E o amigo Ramúcio é um querido, bonito o diálogo de vcs.

Beijinhos.

Marcantonio disse...

Contemplar é olhar, admirar, refletir; mas também é premiar, e as duas acepções alcançam o leitor do seu poema.
Mas só contemplamos partes, pois a visão do todo não se completa, há sempre um contexto que recua. E a essas partes correspondem os cantos mais belos que chegam como memórias vivas aos ouvidos do outro, já adiante, em outro ponto da estrada incompleta.

Abração!

Júlio Castellain disse...

...
Sorte do Pedro.
...
Belíssimo diálogo.
Abraço, Assis.
...

Mirze Souza disse...

Maravilha!

"Só passarinhos cantam eternos em sumiços de laços"

Beleza, Assis!

Beijos, poeta MIL

Mirze

Ingrid disse...

Assis,
.."as coisas se decompoem antes da sua completude"..
sem palavras..
belo demais querido poeta!
Beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

Belo passarinhar poetico, indo e vindo! Bjs

Tania regina Contreiras disse...

Este é o Assis: faz falta não te ler, sabia? Maravilha...O homenageado certamente sentiu-se premiado.
Beijos, Assis

Eder Asa disse...

Então és um passarinho, Poeta!

Zélia Guardiano disse...

Assis, meu querido
"As coisas se decompõem antes da sua completude"
Aqui você colocou a síntese de tudo...
Lindo demais!
Abraço

Everson Russo disse...

Um belissimo sabado pra ti amigo,,,abraços.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Assis,
Só agora que vi e pude vir contemplar, contemplado, premiado, comovido, o diálogo que me estendes...
Obrigado, amigo, por esse susto em véspera de olhar...
Obrigado pelo apreço que não tem preço, nem nunca terá, feito certas canções eternas que se perdem na sinuosidade do vento...
Obrigado, poeta. E poetas que aqui comentaram, que aqui deixaram dois ou três fardos de suas existências, pois, o mundo já não se cabe em dessemelhança... Façamo-nos uma plêiade infinita...

Abraço valadarense,
Pedro Ramúcio.