terça-feira, 30 de novembro de 2010

414 - último poema para desterro e estrada II

Puseram-se em folguedo as sílabas em estranho fogo-fátuo
E corriam-me vocábulos pela iridescente poesia da tua mão
Quem sou eu pelos teus caminhos de tão insana correnteza
Quem és tu a inflamar desejo e por tumulto em casta nuvem

Há ainda luz a ser consumida nesta babel de tanto equívoco
Alvoroço na alcova clamando em nudez corpos sempiternos
No desassossego deste horizonte que se rabisca em escarcéu
Na sina do poema que há de ficar cativo ao ermo da página

15 comentários:

Everson Russo disse...

Que esse poema fique cativo na alma...abraços de bom dia.

Mai disse...

Perfeito!
Cada imagem um poema em sí.

Que Beleza!

Marcantonio disse...

Pelo tom maior, há de ficar este poema suspenso sobre as páginas (ou sobre a estrada) como um corpo sempiterno.

Abração.

AC disse...

O sempiterno apelo da vida!

Abraço

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

"Quem sou eu pelos teus caminhos de tão insana correnteza
Quem és tu a inflamar desejo e por tumulto em casta nuvem..."

Por instantes fez-me lembrar Shakespeare e os diálogos de R & J...

Lindo!! Completamente...

bj.

Eder Asa disse...

E essa não é a sina de todo poema? Se não é sina é rima...

Fantástico, Assis... Também me lembrou Shakespeare...

Sandra Botelho disse...

Aplausos!
Bjos achocolatados

Jorge Pimenta disse...

assis, amigo,
o que tenho perdido. e sei-o bem! esta minha ausência fez-me sentir-vos de forma diferente; não na escrita, mas na saudade de um tempo que se fez na e pela escrita. curioso, não? neste meu regresso, aos poucos, vou arrumando a casa e pondo nos seus lugares o que ficou por fazer. aos poucos, reencontro-me com os lugares dos amigos que também meus. sensação boa, essa!
sempre bom, ler-te, querido amigo!
um abraço!

Lívia Azzi disse...

"Quem sou eu ... Quem és tu"

Amar é uma reconstrução subjetiva!

Um beijo!

Luiza Maciel Nogueira disse...

com uma sensibilidade a flor do verso!

beijos!

Mirze Souza disse...

ASSIS!

A sina do poema é ficar cativo em nós, enquanto se dissipa o fogo fátuo!

Belíssimo!

Beijos, poeta MIL!

Mirze

Ira Buscacio disse...

Assis,

Venho pelos ventos de Pedro, o poeta das Minas Gerais, que soprou a luz dos seus versos

Encantada!

Bjs e boa semana

Zélia Guardiano disse...

Poema perfeito, meu querido!
"na sina do poema que há de ficar cativo no ermo da página"
Que imagem lindamente triste...
Demais!
Beijo

Cris de Souza disse...

ah, remexeu algo por dentro...

soberbo!

Lau Milesi disse...

Lindo, muito lindo! Vejo Vinicius, com Toquinho ao lado:
"Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito... enquanto dure"...
Parabéns, Assis!!
Um beijo, poeta.