quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

805 - metaplágio solícito para os quartetos de Elliot

na palavra está a sagração do tempo
crisálida transfigurada dum instante
sopro silente da infinda tempestade
que corrói os desvãos da linguagem

na palavra está a sagração do tempo
termo simultâneo, epílogo do agora
abismo que se concentra a implosão
corolário de repouso para o silencio

na palavra está a sagração do tempo
incrustando a dança dos significados
bússola para o oásis de todo deserto
como o pasto do súbito e do inefável


*inspirado em Four Quartets
Thomas Stearns Eliot (1888-1965)

4 comentários:

Everson Russo disse...

Na palavra estão o inicio e o fim de tudo...abraços de bom dia.

Tania regina Contreiras disse...

Bom-dia, poeta! Beijos

MIRZE disse...

ASSIS!

É no sopro que dá origem à palavra que começa a sagração do tempo!!!!

Lindo demais.

Beijo

Mirze

Rejane Martins disse...

Tem tempo que os Quatro Quartetos do Eliot me tiram o fôlego, fazem perder o chão.
Teu Metaplágio - fio tênue a balançar no ar - entrega um laço brasileiro às brechas da linguagem.