domingo, 18 de dezembro de 2011

801 - pequeno interlúdio para velas, impulso e sagração

Aguardo o chilreio da cotovia
“Hail to thee, blithe spirit!”
Como amantes que anseiam o rouxinol
Há cantos para o dia e lisonjas noturnas
“Bird thou never wert!”

Morrem os versos a cada estrofe
Como laminas silentes, diligentes
No ofício de exasperar desafios

Aguardo o chilreio da cotovia
Eu que nunca ansiei do pássaro o voo
Apenas o ímpeto de elevação das sílabas
“Hail to thee, blithe spirit!”

Toma-me de braços para o infinito
Todo o orbe conjuga árias e coplas
Serão teus os passos rasgando céus
“Bird thou never wert!”

Aguardo o chilreio da cotovia
Sopro de arrebatamento e impulso
Há um mar que não cessa nos olhos
Repara que os horizontes balouçam
Vaza-me de sal, nuvens e nuas naus

* inspirado em To a Skylark
Percy Bysshe Shelley (1792–1822)

5 comentários:

Bípede Falante disse...

Os olhos são mesmo guardiães de água infinita.
Belíssimo e sofisticado poema, Assis.
beijos :)

MIRZE disse...

A sagração e o voo ao infinito!

Esplêndido!

Beijo

Mirze

Lídia Borges disse...

Uma expressão poética belíssima a realçar esperas líquidas no mar inquieto dos olhos...

Um beijo

Ingrid disse...

meu querido poeta,
vim agradecer a companhia e carinho no ano que termina.
te desejo um lindo Natal e 2012 de saúde e alegrias..
beijos perfumados...

dade amorim disse...

Belíssimo, Assis!