sexta-feira, 4 de maio de 2012

939 - ensaio mnemônico sobre a natureza dos raios


eu também já fui azul, amor
e era sobressalto todo o dia
zumbiam estrelas nos ouvidos
havia alvíssaras nos cabelos
meu olfato tinha sabor de rio
me ocorriam nuvens nos passos
os olhos eram asas de passarinho
a vertigem era promessa do súbito

eu também já fui azul, amor
e era desconcerto o meu dia
de alumbramentos e pasárgada
um arrebol tecido de arco-íris
a teia vívida e eterna de orvalho
o horizonte descortinava epifanias
não me faltava silencio no orbe
e eu me fartava de amanhecimentos

11 comentários:

Everson Russo disse...

Já foi e ainda é amor em versos de natureza e paz aos coloridos da alma...abraços de bom final de semana.

Joelma B. disse...

um ensaio sensorial...

beijinho com admiração, mestre Assis!

Ira Buscacio disse...

Que foi azul, nunca perde o amanhecimento.
Demais de lindo!
Bj imenso, Assis querido

Lídia Borges disse...

Admiração, sim!
Deixo a minha.


Um beijo

Vais disse...

Ei, Assis,
fiquei a ouvir os trovões e a ver os riscos prata dos relâmpagos
bem colocou a Joelma, sensorial

altamente sensorial
ensaio todo lindo
beijinho

Anônimo disse...

Um ensaio nota 1000!

As estrelas, cegas e brilhantes no amanhecimento azul do orvalho e da poesia. Yua poesia.

Lindo!

Beijo

M

Daniela Delias disse...

eu também já fui azul, amor.

achei lindo repetir, é desses versos que a gente tem vontade de dizer em voz alta...

bjo meu

Lua Nova disse...

Uma das mais lindas que já li... doce... suave... feliz...

"...a vertigem era promessa do súbito..."

Coisa de quando ainda somos azuis...

Lindo, Assis! Vc me encanta.

Beijokas.

dade amorim disse...

Todos um dia somos azuis.

Beijo beijo.

Ingrid disse...

um azul de brilho de amar..
lindo Assis!
beijo

Eurico disse...

Deslumbramento! Alumbramento! Um poema dos melhores teus!
Se fora eu um compositor do quilate do Caetano... seria letra de um clássico.
Está em fase maravilhosa, Poeta.
Salve a Bahia!