quinta-feira, 31 de maio de 2012

966 - Antipoema para o dialeto das chuvas


Meu poema não se contenta
Em apenas ser a palavra
Meu poema quer ventanias
Sílabas em alvíssaras
O rugir de todas as águas
Encantamento de ar e asas

Meu poema não se contenta
Em ser apenas a palavra
Meu poema quer as pedras
O rico mineral nos desvãos
A afetividade da linguagem
Impregnada de tez e solidez

Meu poema não se contenta
Em apenas ser a palavra
Meu poema quer volúpias
A demência do entendimento
O estado vegetativo da razão
A lira em regência inaugural

9 comentários:

Bípede Falante disse...

Afetividade da linguagem é incrível!!!
Adorei :)

AC disse...

A poesia quer-se viva, que respire...
maravilhoso, Assis!

Abraço

Everson Russo disse...

O poema vai sim muito além das palavras,,,ele leva sentimentos junto do vento..abraços de bom dia.

Lara Amaral disse...

O poema em descontentamento é que nos deixa nesse estado de busca.

Beijo.

Mirze Souza disse...

Ventanias, pedras, volúpias e " demência do entendimento"
Essa demência e tudo que o poema exige, é o próprio poema1

TEU POEMA!

LINDO!

beijo

mirze

Jorge Pimenta disse...

todo o poema começa na linguagem, mas onde acaba... nem o poeta o sabe.

abraço!

Luiza Maciel Nogueira disse...

maravilha não se contentar e assim escrever inquietações

beijos

Daniela Delias disse...

A gente não quer só poesia...opa, acho que não era assim o verso rs!!!

Bjo, bjo

Vais disse...

e que não se contenha
que rasgue que corte que derrame

beijão