terça-feira, 22 de maio de 2012

957 - Canto para o amor e outros desalinhos II


(ou breve estudo sobre a natureza do alvoroço)

eu deveria ter desinventado o ontem
antes de me despertares o amor
porque já não tenho olhos
a minha pele é campo roto
e meus passos são o trôpego
ensaio de descaminho e abismo

eu deveria ter desinventado o ontem
com as mãos apalpando o vazio
o coração destronado e puído
antes de me despertares o amor
sem esta taça de vinho, sem o
fervor de nuvem a me consumir

eu deveria ter desinventado o ontem
com as palavras já cumpridas
as geografias enfim pacificadas
os girassóis em rito de ascensão
na calmaria de uma brisa leve
antes de me despertares o amor

11 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

genial, desinventar o ontem para inventar amanhãs!

beijos

Bípede Falante disse...

Ah, se a gente pudesse de vez em quando se desviver!

Beijoss

Everson Russo disse...

E que nesse desinventar o ontem,,,se tenha o amor hoje...abraços de bom dia.

Anônimo disse...

O poeta baiano não é só talento nas letrinhas...é nos (des)inventos também. LINDÍSSIMO!!!
Esse eu levo. E deixo um beijo e um abraço.
(churchcrunch.wordpress.com)

Lara Amaral disse...

Se pudéssemos isso, "ontens" estariam em extinção.

Que lindo poema, Assis!

Beijo.

Lídia Borges disse...

"Desinventar o ontem"?! Não.

O amor despertaria hoje ou amanhã...

Um beijo

Joelma B. disse...

ai, quem me dera desinventar o ontem!

bravo, mestre!

beijinho com louvor...rs!

Mirze Souza disse...

LINDO!

Então é na natureza do alvoroço que habita o arrependimento.

D+++++

Beijo

Mirze

Ingrid disse...

teu alvoroço nos deixa em êxtase..
beijo poeta..

Daniela Delias disse...

O amor e seus desalinhos...quanta beleza nesses versos, principalmente em "eu deveria ter desinventado o ontem".

Lindo vc.

Bjo

Jorge Pimenta disse...

assis,
a ideia da desinvenção é-me particularmente cara, mas dolorosa. saber fazer é duro, mas aprender a matar o feito é contranatura... ainda que no mais das vezes a chave para se prosseguir a obra.

abraço!