quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

454 - Outro velho poema de impossíveis eras

Somos todos navegantes e não nos damos conta
Um dia aqui outro além, as coisas se misturam
Quimeras vão, desesperos vêm, quem dera mais
A torneira está sempre a pingar a última gota
E nunca aprendemos o nó certo dos cadarços
A noite está escura embora haja uma luz incerta
Palavras são faróis tontos cheios de significados
O roto, o maltrapilho frequentam-se no glamour
Das placas acetinadas, dos outdoors reluzentes
O homem convive com a sombra indevassável
Repete-se em antigos rituais e nunca se purifica
Rostos acenam em uma infindável procissão
Este que vos escreve se debate em celidografias
Se debruça pericondrítico com um surto ptótico
Calcinado por nada vislumbrar neste presbitismo

19 comentários:

Néia Lambert disse...

"Palavras são faróis tontos cheios de significados".
Gostei demais disso Assis, um abraço.

Vanessa Souza Moraes disse...

Sublinhei, com o grifo imaginário, o trecho citado acima.

Everson Russo disse...

O homem vive se reinventando,,,e por fim,,se repetindo...abraços de bom dia.

Lau Milesi disse...

Brilhante, poeta Assis, como sempre. Que se calcifiquem os cristalinos. Mas os corações (dois dois mundos) jamais endureçam ou fiquem "míopes".
Assis, me sinto privilegiada em poder desfrutar do seu espaço, do seu talento, da sua inteligência, da sua cultura e da sua sensibilidade. Lance logo seu livro, menino.
Caraca, além de um poetaço didático você é um "oftalmologista" e tanto.:) Adorei os termos médicos!!!

Um beijo e bom dia!!!!


Ah...minha presbiopia jamais me impedirá de le ter. :)

Lívia Azzi disse...

E temos pressa de capturar a última gota.

Um beijo!

Ingrid disse...

Assis,
entre gotas,nós,luzes e rituais vivemos no impossível que por vezes nos purifica..
beijo.

Tania regina Contreiras disse...

Salve, Assis, entro no coro: o livro de pomeas, o livro, o livro!!! rs
beijos, querido, mandei o endereço pelo e-mail.

Ana SS disse...

"A torneira está sempre a pingar a última gota"

E nunca adivinhamos quando é que acaba a nossa última gota.

Luiza Maciel Nogueira disse...

parece uma retrospectiva em forma de poesia - tudo que o pensamento abriga :)

bjo

Pablo Rocha disse...

Um emaranhado de controversias. Somos exatamente assim mesmo, Assis.

Abraços!

teca disse...

Reversos míopes de amor!

Beijos.

nina rizzi disse...

é bom quando, prolixo, se amaina o amor. e levanta um poeta primeiro.

um beijo :)

Daíse disse...

Oiiiiiiiiiiiii!
Adorei o seu blog! Parabéns!!!
Se quiser conhecer o meu, é : www.espiculaderodinha.blogspot.com
Bjos!!!

Mirze Souza disse...

ASSIS!

O vislumbre de impossíveis eras foi calcinado.

Perfeito!

Beijos, poeta MIL!

Mirze

Bípede Falante disse...

Eu navego dentro de um submarino. bjs.

Lídia Borges disse...

"Repete-se em antigos rituais e nunca se purifica" (...) e daí a busca desenfreada,(ou não) antes que se perca a derradeira gota...

Um beijo

PS: Sem saber como, perdi um comentário seu ao publicar. Desculpe.

Cris de Souza disse...

mestre dos magos!

Batom e poesias disse...

Impressionantemente lindo!!!
bjs

Rossana

Mai disse...

"surto ptótico"
gravei esse isso.

Só você!

Você sim é impossível.

cheiros.


P.S.

Vou ler aos pouquinhos, tá?