quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

846 - suíte despretensiosa para súbitos desencontros

por um mínimo detalhe não nos cruzamos
numa avenida tresloucada de transeuntes
eu te olharia passar distraída em teu passo
quase despercebido de o sol não me notar
no meu inventário de gestos num caminho

tu trarias a saliva do lábio no sorriso táctil
a mão insuflada no laço em torno da bolsa
os teus olhos plantariam silêncios de ilhas
serias vertigem condensada de uma nuvem
tudo estaria em órbita no instante não vivido

14 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Desencontro tão cheio de beleza, Assis. Tantas vezes o que deixa de acontecer é justamente o maior e mais forte acontecimento. "Quase" dá febre, arde, queima...

Beijos,

Everson Russo disse...

Um desencontro momentâneo,,,a vida é cheia de esquinas e opções....abraços de bom dia pra ti.

Rejane Martins disse...

Num mundo, vasto mundo, um encontro seria uma rima, em acentos de silêncios.

Andrea de Godoy Neto disse...

desencontros são silêncios que não nasceram em meio à multidão...

lindo,lindo!

beijo

Adriana Karnal disse...

como hj estou pouco criativa, me valem as palavras cansadas: lindo.

Lídia Borges disse...

Sente-se, quase palpável, o encontro na minúcia dos detalhes destes "súbitos desencontros".

Um beijo

dade amorim disse...

Acontece mesmo, quantas vezes, o que é uma pena, quase sempre.

Beijo beijo

Cecília Romeu disse...

Assis, tudo bem?

...sobre o que não aconteceu, e ainda que não aconteceu se fez, numa "avenida tresloucada" de qualquer parte de nossa cidade, de qualquer pessoa que ali cruzou distraída, e ainda que nem cruzou, mas nos fez de morada.

Belíssimo poema, Assis!
Encheu-me os olhos, sinceramente.

Beijos!

Celso Mendes disse...

"tu trarias a saliva do lábio no sorriso táctil
...
tudo estaria em órbita no instante não vivido"

o poema todo é impecável. mas se só houvessem estes dois versos, já me bastaria, já transbordaria poesia.

abraço.

M.C.L.M disse...

"os teus olhos plantariam silêncios de ilhas..."

Calo-me!! Por agora, basta-me a contemplação...

Bj.

LauraAlberto disse...

comoveste-me Assis, com esta história de um (des)amor

abraço
LauraAlberto

Jorge Pimenta disse...

encontros e desencontros. por mais que o mapa seja a mão, há tanto que nos escapa.
abraço!

Daniela Delias disse...

"Passas sem ver teu vigia catando a poesia que entornas no chão..."

Ingrid disse...

me transportei ao teu encontro súbito..
beijos perfumados..