quarta-feira, 18 de abril de 2012

923 - Ária de levitação para seixo escondido na areia


respira em desatino a imperfeição da pedra
assim pousada, no soslaio de viço e silencio
feito pássaro que se empluma em altiplano
cegos nós que se corroem gesto e argúcia

em dois gumes também se afia pedra e paixão
do amor se espera o alado, regaço de nuvem
mas se arqueia de soçobro em vereda mineral
ferro e fogo se agitam em périplo de singeleza

12 comentários:

Angélica Lins disse...

Quem mais além de Manoel de Barros e você para transformar pedra em poesia? [risos]

Sempre doce vir aqui.
Beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

e assim a imperfeição da pedra se eleva sob sua imensidão

beijos

Everson Russo disse...

O amor com certeza se afia em dois gumes,,,um acaricia e outro corta profundamente....abraços de bom dia.

Bípede Falante disse...

Assis, e não é que concluo que você também é cria do céu e adorador de nuvens??
Beijoss

amor-perfeito. disse...

sim gelo

Ananda Gouveia disse...

Eu leio e bato palmas merecidas pra você. Porque é dessa sensibilidade que o mundo precisa. :D Seguindo. *---*

Lídia Borges disse...

Desenho e pinto este poema (pintura naif) em traços e cores de arco-íris e vejo-o, lindo, a "ferro e fogo" na interpretação das mãos .

Beijo

Daniela Delias disse...

Do amor se espera o alado. De amor, se espera...

Bjo!

Mirze disse...

Desatinou-me a imperfeição da pedra.Fere em ferro e fogo!

Bravíssimo!

Beijo

Mirze

Vais disse...

Ei, Assis,
estes novecentos tão que são só suspiros e arrepios dusbão

beijo pra você

dade amorim disse...

Do amor se espera tanto!

Beijo beijo.

Jorge Pimenta disse...

em cada seixo quebrado uma nuvem desmultiplicada. ah, fazedor de versos, de sonhos e de possibilidades.

abraço!