quinta-feira, 26 de abril de 2012

931 - sonata de desamparo sob vento longínquo


às vezes me corrói o
desatino da ausência
haver que não existe:
lugar onde o silêncio
germina suas sílabas

uma terra sem orvalho
périplo de rio sem foz
seta de olho sem alvo
a súbita revelação da
inércia de uma palavra

17 comentários:

Andrea de Godoy Neto disse...

a mim também corrói este desatino...

seta de olho sem alvo é uma imagem linda linda num poema perfeito.

beijo, Assis

Lídia Borges disse...

É muito bela, esta sonata!... Um amparo para o frio emanado pela ausência que corrói.


Beijo

Lua Nova disse...

Não há nada que debilite tanto a alma quanto uma saudade encrustada no coração da gente. Que coisa mais perfeita tua ode!
Beijokas e meu carinho, Assis.

Everson Russo disse...

A ausência tem isso, a direção do vento, a gente nunca sabe onde vai dar...bom dia...abraços.

Joelma B. disse...

consequentemente, a amplitude do olhar cerca o poeta de ausências!

beijinho, mestre Assis!

Adriana Godoy disse...

Assis, mais um pra essa coleção que a cada dia fica melhor. Quanto mais se aproxima o final, mais e mais poemas vão surgindo com força total. beijo

Lara Amaral disse...

Delinear as bordas do invisível, acertar em cheio o alvo do vazio.

Perfeito, Assis!

Beijo.

Primeira Pessoa disse...

a súbita revelação da palavra poesia.

beijão, poeta.

Anônimo disse...

Há uma palavra a ser revelada nessa linda sonatade desamparo.


Tão lindo!

Beijo

Sandra Botelho disse...

Que lindo...Um texto maravilhoso. Estou de volta ao Meu Aconchego, te espero por lá. Bjos achocolatados

Daniela Delias disse...

Desamparo que inspira!
Bjo

Ira Buscacio disse...

A inércia de uma palavra, quanto desamparo!
bj grande, meu querido

Jorge Pimenta disse...

a ausência: o combustível maior da melhor poesia. a tua, obviamente.

abraço!

LauraAlberto disse...

a não presença não mata apenas
faz viver, faz criar

beijinho

dade amorim disse...

Esse título já é um poema por si mesmo.

Beijo beijo.

Ingrid disse...

onde tudo pode faltar as letras irrigam..
beijo Assis.

Bípede Falante disse...

Que a palavra escape antes que a gente a estrague com as nossas preguiças!! rsrs