quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

101 - Canção ao vento que sopra

Deixe-me afagar as águas
Que me banham o peito
Pois nada sei das dores
Que ordenhas neste instante

Deixe-me afagar ainda a luz
A estranha luz que cresce
E não cessa em claridade
Neste corpo que alimentas

Deixe-me entardecer a palavra
em uma única rima indócil
para que eu risque na espada
a esquiva saudação deste olhar

6 comentários:

nina rizzi disse...

Assis, que coisa mais linda o primeiro verso da terceira estrofe. eu quero engolí-lo...

Mai disse...

Mulher sente diferente. E eu, sinto muito, aliás, sinto tudo e sinto o mundo e sinto o vento desta cançã que foi de 'ninar' e acho que 'ninou' ou rimou. E numa rima que chove - emocionou - Lindo!
Um beijo

Lou Vilela disse...

A cada poema, uma pena mais afiada. Belíssimo, minino!

Cheiro

Murilo Rafael disse...

Amigo Freitas, a sua consciência literária realmente impressiona. Você tem o domínio da palavra, sabe como proporcionar o efeito de sentido e unidade a cada verso. O título de poeta lhe é verdadeiramente merecido.

Um abraço,
mR.

Gerana Damulakis disse...

Os primeiros versos de cada estrofe trazem imagens muito ricas. O "entardecer a palavra" é plena de significados.

ErikaH Azzevedo disse...

Que orgulho de seres conterraneo.

Aqui deixei entardecer a palavrar pra sentir crepuscular o teu sentir.

Como escreves bem...vou te seguir!

Bjos

Erikah