quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

108 - Soneto XXI

Eu te quis pedir ao vento
Para que parasses de vir
Soprasse ao longe daqui
Eu te quis em não perder

Talhei, quis em ti um azul
Quase perdi a cor, o olhar
Fiz de ti a vela, quis partir
Eu te quis, doei as águas

Se falseasse ainda, o mar
Fosse enseada, os búzios
Deixassem levar em atrito

A correnteza sutil a verter
Deste peito onda e mágoa
Caravela de fina algaravia

3 comentários:

Mai disse...

Há sempre uma dor e um querer que deságua em poesia. Sonoro este soneto. Abraços.

ErikaH Azzevedo disse...

Um sentimento que se faz correnteza, precisa ser livre, saber desaguar.
Faz-se mar, deixa o vento atuar, tudo que for verdadeiramente teu...o que ele leva também de volta ele traz..

bjos

Erikah

nina rizzi disse...

quanto mar cabe no verbo amar;
quanta mágoa cabe em nossos litros d'água?

camarada, atacando de sonetista, uau. vc arrasa tudos em tudos.

cheiro.