domingo, 31 de janeiro de 2010

111 - Epitáfio

Não quero morrer de uma só morte
Quero uma overdose bela
Uma após a outra em louca sincronia
E que todos os minutos se quedem
Numa agonia de corpos e almas
Até em mim não restar nem sequer

9 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Se eu pudesse assinalar, marcaria este como um dos mais fortes poemas (sinto não ter feito isso desde o início). Há qualquer coisa mágica no tanto dessa morte em camadas. Parabéns!

Lou Vilela disse...

Morremos a cada instante(?) "numa agonia de corpos e alma". A overdose fica por nossa conta. ;)

Como disse certa vez a Mai -se não estou enganada-, o requinte de suas construções encanta.

Beijos

Lara Amaral disse...

Entendo... Já que é para se findar, que se faça direito.

Gostei do epitáfio!

Nestor Aqueus disse...

A morte sempre há de deixar algo de belo; a eternidade dos gestos (e da palavra).

Abraço,
Aqueus.

Jorge Pimenta disse...

Ao ler "Epitáfio", ocorre-me a subtileza do lirismo trovadoresco e peninsular quando distingue o "mar alto" do "mar maior". Também eu quero morrer de mil formas nesse mar maior...

Um abraço!

[ rod ] ® disse...

Ler-te é um soco de prazer literário! Morrer assim tão comum se há uma infinidade de sabores. Sabores de morte, desespero e sabedoria! Abs meu caro.

nina rizzi disse...

eu também quero morrer assim, assis, mas com aina outros requintes de poesia e luxúria.

que desfecho. não resta sequer palavra,
mas sim, um cheiro...

Mai disse...

Uma morte decente, honrada, direita. Se é de se morrer, que se morra no exagero. E com elegância se produzam epitáfios assim - hiperbólicos.
P.S.
Nunca pensei dizer tal coisa, mas... Oh! morte bonita, s'ô!
Umas duzentas viuvas carpindo sobre esse epitáfio ainda não seria bastante.

Viu, porque és viciante?
cheiro e vida muita!

Gisele Freire disse...

Uma beleza Assis!
abraço
Gi