quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

86 - Drummond(nianas)

I
o amor bate na aorta:
então é preciso sangrar

II
tenho leite e jornais
todos os dias
e alguma poesia

III

as cidades e os moinhos
ficam no meio do caminho

IV

não há idade madura
as palavras apodrecem
se não forem gastas

V

consigo rimar outono
com a pedra que sonho
com sono, não

VI

já nasci gauche
o anjo torto
não era pervertido

VII

preso as minhas roupas
e alguma classe
fico cinzento e sem pátria

VIII

sejamos pornográficos
o mundo não é vasto
o mundo parece doce
como soda, raimundo

IX

queria ter nascido
em Andradina
seria uma forma
fina de rima

X
não chores meu filho
ainda há versos que
não foram escritos

6 comentários:

nina rizzi disse...

de i a x fico com alfa e ômega.

bacci, Assis.

Ava disse...

Vou acompanhar sua saga, rumo aos 1001...
Valerá a pena, com certeza!

Beijos!

Lara Amaral disse...

Um show para Drummond e para nós, adorei!

Gerana Damulakis disse...

Resultou interessante: alguns estão divertidos. Não sei se a intenção era essa. O III: gostei.

Mai disse...

Me faz bem ler você. Ainda bem que só estamos no 86.
Um abraço e um sorriso.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Assis,
Se me permitires, tomar-te-ei emprestados estes versos pra repostar qualquer dia destes lá no CANTO GERAL... blog que se presta a cultivar e cultuar os grandes artistas do Brasil e outros cantos do mundo.
Dê um pulinho lá pra conhecer e veja se me autoriza.
Sou de Valadares (Minas) e já passei algumas vezes em Feira, a caminho de Santo Amaro.

Que Sherazade se faça força e inspiração na sua odisseia pelos 1001 poemas, que já somam muita beleza e encanto:
Pedro Ramúcio.