quinta-feira, 8 de abril de 2010

178 - canção de gesta

Empunho girassóis e alamares
Na rede de tramas que puseste
Entre as promessas a cumprir
Em tantos véus por alimentar

Herdei tronos e tenros pomares
vivos e mortos em tantos lugares
fantasmas que me inquietam e
tangem meus cavalos na solidão

preciso empenhar-me na labuta
abater montes de aveia e feno
dar sorriso aos entes diferentes
acoitar-me com as parcas feras

peleja que não ouso a soçobrar
se num átimo me saltam dentes

9 comentários:

Ava disse...

Puro encantamento ler voce.
Me sentí em meio aos fardos de feno, vendo voce labutar...

Difícil não soçobrar perante as tempestades da vida...


Beijos meus!

Lou Vilela disse...

Uma proeza épica! ;)

Bjs

Lara Amaral disse...

Na labuta diária, empunhar a espada - poesia.


Ps.: Soçobrei nos seus contos, não quis voltar, lindos!

Zélia Guardiano disse...

Assis
Quando penso que já não posso me encantar contigo, mais do que já me encantei, constato que ainda posso... Sempre!
Parabéns!
Um abraço

Mai disse...

A força do enlace e do gesto.
Teu poema me lembrou Dom Quixote e os moinhos de vento...E na dureza, ao prenhe de sonhos, vale o sonhar.
bjocheiro

Jorge Pimenta disse...

a plena consciência do que há a fazer... e a frágil certeza de o conseguir fazer. Dilema anafórico que dá sentido às dialéticas do ser.
Um abraço!

Sylvia Araujo disse...

E apesar dos esteios - avante!

beijo, Assis

Gerana Damulakis disse...

Excelente canção de gesta, Assis.

nina rizzi disse...

assis, lembra das notas capitais: "não odeor melhor que o cheiro de cavalos"? pois é... amo-os. tanto que d'uma feita um poeta me escreveu:
"uma mulher que ama cavalos é uma musa cruel... rsrsrs...

cheiro d'égua, uai.