sexta-feira, 16 de abril de 2010

186 - Canção da próxima esquina

Que não finjas a dor
nesta espera infinda
- Você não romperia

A corrente de ferro
Os nós, laços, a teia
- Você não romperia

O peito em confusão
O coração cansado
- Você não romperia

A mão que te acena
Em gesto derradeiro
- Você não romperia

A letargia do projétil
A máquina do tempo
- Você não romperia

O nada, o abismo, o
Mergulho, o vácuo,
- Você não romperia

(Inelutável e só)

16 comentários:

Lara Amaral disse...

É transpassar a poesia, como se nunca a tivesse visto de perto.

Que bonito, Assis.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Assis,
Finges que finges que não finges! E nós em tua teia de poeta...
(De aqui, se me permites: um abraço do tamanho do peito para Lara Amaral...)

Abraço poético,
Pedro Ramúcio.

Por que você faz poema? disse...

A poesia, também, é feita de esperas.

ErikaH Azzevedo disse...

A poesia rompe corrompe,ecria...modifica.

um bjo!

Everson Russo disse...

Meu amigo,,,simplesmente maravilhosa essa canção,,,esse poema, estamos sempre nas esquinas da vida esperando por uma canção que nos traga o amor...forte abraço e um belo final de semana pra ti.

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

poema do cotidiano, da curta vida em drama nos segundos, o que passar o qeu se perde nos momentos em que destraidamente vivemos

Jorge Pimenta disse...

"- Você não romperia
O nada, o abismo, o
Mergulho, o vácuo"
Na vida, como nos afectos, cada vez mais acredito na relatividade e menos nos absolutos. Apesar de o tom parecer definitivo, sinto nessa conjugação condicional sobretudo um desafio ao interlocutor, esteja ele dentro ou fora do coração que sente.
Um abraço, Assis!

Zélia Guardiano disse...

Você tem um poder incrível! Quando penso que não há mais possibilidade de evolução, você chega e diz: Veja isso, agora...
Lindíssimo!
Parabéns!
Abraço

Mai disse...

A mão que escreve o verso, deflagra o projétil que perpassa o peito. Nas mãos o poema o amor e a vida a romper. Quem romperia?
eu te adoro, homem.
Um abraço e um afago, poeta.

E.T.[Eu vibro quando gastas versos a mais
ficando perdulário, né?]

Lídia Borges disse...

Não romperia, com certeza...

Um belo poema.

L.B.

Maria Vieira disse...

sim, eu não romperia.

Nydia Bonetti disse...

Ainda que - "inelutável e só" - o poeta rompe barreiras e dobra esquinas - "caminhando e cantando e seguindo a canção"... Cantemos, pois. Beijo.

Rafael Castellar das Neves disse...

Esse nada, vazio, abismo...é angustiante...ótimo texto!

[]s

nina rizzi disse...

eu sei que vc não romperia.
nem mesmo as proprias indagações que não reponde, que não espera...

um beijo, assis.

Everson Russo disse...

Deixando ao amigo um forte abraço e desejando um belo sabado.

Lou Vilela disse...

O poema instiga, provoca, desafia... - Uma bela construção!