sexta-feira, 11 de março de 2011

519 - ensaio neoconcreto para cristais e aleivosia

cresce nos encamentos a angústia da aurora
a hora de todas as pias abundantes
de barbas e espelhos, de gengivas e dentes
no reparo irreparável de mãos a esfregar

cresce nos encamentos a angústia de água
que vai se misturar ao caos urbano humano
a esconder da vista vísceras e perdulários
e saciar a sede de limpeza dos enamorados

cresce nos encamentos a angústia insidiosa
para a qual corre o dia em valas e esgotos
e as carnes apodrecem sem cheiro e sabor
e os olhos se apetecem úmidos de um sopro

20 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

É o caos a se instalar na alma humana.
Abração

Everson Russo disse...

Angustia que sufoca o peito...abraços de bom final de semana.

AC disse...

Por aqui faz-se poesia como quem respira. Até os títulos encantam.

Abraço

Rejane Martins disse...

É o Assis a exorcismar em canalização estonteante!

Sam disse...

credce meu coração
na curva do rio
e rio e rio e rio
sorrio como quem nada entende
mas sabe que os caminhos
são calçados
e calçadas de tudo e de todos.

abraços, flores e estrelas...

Luiza Maciel Nogueira disse...

o sopro final deu movimento, aliás os seus versos são cheios de movimentos, parecem ter vida a danças nos olhos de quem está lendo

beijos!

Jorge Pimenta disse...

se isto é apenas o ensaio, imagino a obra final :)
o caos alimenta-se do caos. sobreviver-lhe depende sempre do apetite do comensal.
um abraço e uma leve angústia, poeta!

Tania regina Contreiras disse...

Antes de ler eu poema, gasto uns minutinhos viajando, sempre, no poema-abertura...o título: vc é único, Assis!
Beijos,

R.B.Côvo disse...

Bela ilusão a sua! Abraço.

Eder Asa disse...

Esgoto é a circulaçao do urbano... é feio, mas pulsa!
Abraço!

Vais disse...

um sopro nos olhos pra sair o cisco
um sopro de brisa nos ouvidos pra despertar(que há muito desperto está)um redemoinho de sílabas.
beijo, Assis.

Lídia Borges disse...

O caos e a fragmentação do ser em imagens que se impõem aos sentidos de forma devastadora.

Um beijo

Fernand's disse...

e os olhos mandam... temos mais é que obedecê-los!


=D


bjsmeus

Maria Andrade disse...

e com tanto, me mantenho calada apenas a olhar, um olhar.

teca disse...

Às vezes eu me concreto na minha própria angústia...

Bom fim de semana, poeta.
Um beijo.

Lou Vilela disse...

Uma passagem de um poema meu:

'Fezes, ratos, outros grilos
Entopem esgotos
Que transbordam
Aos bramidos'

Mais há o "sopro"...

Beijos

Mirze Souza disse...

A angústia, uma vez instalada, permanece, à espera de outras angústias.

Poema Perfeito!

Beijos, poeta Mil!

Mirze

Ingrid disse...

sem tocar.. sem ferir..
beijo querido Assis..

Ingrid disse...

sem tocar.. sem ferir..
beijo querido Assis..

dade amorim disse...

Neoconcreto e angustiado como a vida. Incrível, Assis.
Beijos.