sábado, 26 de março de 2011

534 - Compêndio para cacto, sertão e beira-mar


no lamento clemente de ladainhas
ecoa em contrários a natureza da memória
mas sei que não só o avesso dos fonemas 
se percebe, há um alfabeto de candura,
ornado de reminiscência 
que faz estrada e corta o coração, 
 lateja em ais a madrugada ubíqua
em que se foram os repentes de Conselheiro,
mais duas dobras na curva do rio
e a noite encobre tudo de sem fim

17 comentários:

Luiza disse...

maravilhoso assis, "esse sertão vai virar mar" Beijos!

Everson Russo disse...

Que esse coração tenha força pra seguir nessa paisagem de amor..abraços de bom sabado.

Fred Caju disse...

Muito bom, camarada! Andei meio sem tempo, meio sem internet, e só estava acompanhando em silêncio. O problema da internet, resolvi, já o tempo...

Wilden Barreiro disse...

sim, mais duas dobras na curva do rio
e a noite encobre tudo de sem fim

mas por que será que os cactos à beira-mar parecem mais tristes que os do sertão?

será pela distância do semiárido interiorano a que se imaginam pertencer?

ou será mera nostalgia do mar que vêem sem a ele não mais pertencer?

Tania regina Contreiras disse...

Assis, um alfabeto de candura...gostei tanto disso! Assis, falando sério, vc não vai pro FB não? Tem uma legião intimando vc... Mas, pra ser franca, tô lá por enquanto, que eu gosto mesmo é dos cantinhos de cada um, chegar aqui e ler e sentir e querer voltar, como sempre quero.
Beijos,

Ira Buscacio disse...

Assis, querido, vc é um homem rendeiro de palavras!
Bj e lindo fds

Sam disse...

não escuto nada
a não ser
o (in)verso
dos fonemas
e as Emas
partindo.

Belo, Assis.

dade amorim disse...

O clima perfeito do sertão, Assis.
Inclusive o alfabeto de candura. Lindo e áspero como o cacto.
Beijo.

Raíz disse...

ASSIS!

Por aqui ficarei tentando acender o lamento das ladainhas e o avesso dos fonemas.[QUE COISA LINDA!]
Espero que corra tudo bem até depois das duas dobras na curva do rio, onde a noite fatalmente encobrirá tudo do sem fim.

EXCELENTE!

Beijos, poeta MIL!

Mirze

Lídia Borges disse...

Uma espécie de doce/amargo nos lamentos e uma belíssima tela essa noite que "cobre tudo de sem fim".

Um beijo

Lívia Azzi disse...

Eu vi até a flor do cacto nesse seu deserto e belo alfabeto.

Beijo!

Lara Amaral disse...

Tão bonito, poeta!

Jorge Pimenta disse...

há rios que cantam.
há rios que passam silenciosos.
há rios que gemem, porque as suas águas se escrevem com alfabetos de candura. deles se faz a saudade dos homens!
abraço, poeta!

Eder Asa disse...

sertão a beira-mar em cac(t)os...

Belo, poeta!

Ana SS disse...

Ca(c)to a madrugada.

Cris de Souza disse...

des-lum-bran-te!

Ingrid disse...

Assis,
sempre intenso..
beijos poeta!