quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

832 - poema para algumas práticas transitórias depois do vendaval

a contemplação dos lilases para esquecer a razão
o cultivo de nenúfares para o alvoroço das retinas
o remanso de heliantos a vigiar o sol no horizonte
o canto da cotovia para quando se extinguir o dia
o voo breve do bem-te-vi a evocar amanhecimento
a paragem de águas delicadas nos olhos do peixe
a travessia sinuosa de lábios inflamando a paixão
o hiato entre o acontecimento e o que há de florir
o arrevesado travo das coisas que provocam cica
o inesperado que surge quando rotas dão veredas
a desassossegada coreografia no coito da libélula
a pacificada interjeição que amalgama a existência

10 comentários:

Everson Russo disse...

Depois do vendaval,,,uma paisagem nasce em belos campos de amor...abraços de bom dia.

Joelma B. disse...

depois do vendaval de tua voz?

beijinho, poeta Assis!

Adriana Karnal disse...

Assis,
bom saber da poesia depois do vendaval.

MIRZE disse...

Maravilha!

Essa pacificada interjeição que amalgama a existência. me pegou. Pensarei muito sobre ela.

Beijo

Mirze

Vais disse...

Ei, Assis,
a contemplação o cultivo o remanso o canto o voo a paragem a travessia o hiato o arrevesado o inesperado a desassossegada a pacificada e o todo da existência

mesmo que efêmeros momentos experimentados

beijo

Rejane Martins disse...

...doudos torvelinhos rodam moinhos, sílabas de solfa em escala natural.

Daniela Delias disse...

O teu dicionário para os olhos marejados...

dade amorim disse...

Depois do vendaval mudam tantas coisas!

Beijo, Assis.

Jorge Pimenta disse...

práticas efémeras, pois são apenas intervalos entre vendavais. o que é mais tangível, afinal? paraísos ou precipícios?
p.s. comecei, já, a procurar vestígios de luz nos abismos com que engane os desejos...

Eurico disse...

Toda essa tua enumeração de coisas transitórias me traz surpresas.
Porém, esse "hiato entre o acontecimento e o que há de florir", essa gestação de tempo e coisa viva, esse entreato, esse me instiga a pensar. E é essa experiência poético-pensante, essa descoberta do hiato entre as coisas e sua eflorescência, que permite o poema, a arte, enfim...

Abç fraterno.