quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

114 - Canção de embalar a alma

As muitas malas que carrego
São destroços destas caminhadas
Não me vem com peso
Estão içadas por altas alças
Não cansam de ilusão e
Carregam muitas fomes,
A sede e o deserto das horas
Carregam tanto o que não havia
Que não me cabe em recordação

7 comentários:

nina rizzi disse...

direto do livro das escritoras suicidas (que em algumas semanas te segue, tá travado nos correios e não consigo localizar), em primeira mão, pra ocê:

a valise
nina rizzi

se, esquerdatária, vivo tanto seca
posso vender qualquer coisa
pra que não sucumba, oh dona de adversidades.

uma faca de passar manteiga
- a espessa gordura que me cobre,
me serve de chave, burra, nos pulsos.

se, vivo de (me) ver-dura,
quedo horrorizada antes as carnes mortas.

é nos entretantos, os mais sutis, que me escamo-teio.
*

e num é que tem aquilo de bolsa internete? e é bom mesmo vc dar um jeito, a ideia é sua ;)
rsrsrs...

Assis, num sei, mas hoje eu tou mais alegrinha. deve ser aquela canção.

uma manchei(r)a daquelas pétalas procê :)

Lara Amaral disse...

O que caberia na mala - alma - do poeta?

Lindo poema!

Moacy Cirne disse...

Muito bom o poema,
meu caro.

Um abraço.

Lou Vilela disse...

"Carregam muitas fomes,
A sede e o deserto das horas
Carregam tanto o que não havia
Que não me cabe em recordação "

Daqueles que nos fazem suspirar...

Bjs

Gerana Damulakis disse...

Está ganhando em melodia. Outro dos bons.

Mai disse...

Música e letra, que cheguem em malas repletas.
Abraços

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

quando leio poemas assim fico com vergonha das coisinhas que escrevo e chamo de verosos