quinta-feira, 10 de novembro de 2011

763 - réquiem para estrelas, via láctea e imensidão

enquanto começa o meu dia
lá do outro lado do mundo
as horas já se consumiram
o girassol cumpriu sua rota
o mar em vaga e preambulo
estilou a cota de imensidão
pés delinearam outra seara

enquanto começa o meu dia
lá do outro lado do mundo
mulheres já carpiram perdas
os campos foram semeados
houve guerra, há ou haverá
desabitados cataram refúgio
mãos clamaram por migalhas

enquanto começa o meu dia
lá do outro lado do mundo
toda a vastidão já se exauriu
portas se fecharam em vão
em meio ao tumulto e terror
as palavras escavaram sinas
para o desatino da existência

enquanto começa o meu dia
lá do outro lado do mundo
os espelhos já estarão rotos
o muito do que era definhou
enquanto começa o meu dia
a ventania derrubou nuvens
no céu do outro lado mundo

13 comentários:

Joana Masen disse...

O outro lado do mundo
está a apenas um toque
aqui dentro do peito...

também escureceu,
também exauriu...
mas sobreviveu.

MIRZE disse...

O sublime "acontecer". Rotina aqui e lá do outro lado do mundo.

Maravilha!

Beijo

Mirze

Rejane Martins disse...

como num coração que late, o primeiro jornal, como Eliseu.

Tania regina Contreiras disse...

Duas metades do mundo num só poema, onde sempre cabem imensidões. Para minha oração do dia, que nunca é tarde, amém!
beijos,

Sonhadora disse...

Poeta

Do outro lado do oceano...costumo passar aqui em silêncio.
Há na imensidão deste poema...todas as dores de todos os clamores de todos os seres.

Deixo um beijo
Sonhadora

Analuz disse...

nada é igual...

beijinho com admiração, poeta Assis!

Iara Maria Carvalho disse...

emociona.

mesmo.

beijos

dade amorim disse...

Enquanto começam nossos dias, acontece.

Beijo, Assis.

Andrea de Godoy Neto disse...

enquanto o nosso dia começa, no outro lado do mundo escurecem os olhares dos homens...

beijo!

Ingrid disse...

e termino bem meu dia lendo-te..
beijos querido.

Jorge Pimenta disse...

nós e os nós, daqui e dali, porque os lugares são todos os rostos que nos defin[h]em.
abraço, assis!

Cris de Souza disse...

Ave, Assis e suas mil e uma matizes!

Eurico disse...

Esse réquiem pegou na veia... poética.
Poema imenso... e denso.
Um dos mais belos que já li na língua-mátria!

Abraço fraterno, Poeta.