quinta-feira, 24 de novembro de 2011

777 - epístola aos que navegam em sal e silencio

ainda era eu que precipitava passos
nas ribanceiras de tantos caminhos
o olhar ruminava de ti uma ausência
vergava distraída a asa do pássaro
não o canto que sibilava sustenidos

no alforje descansavam as auroras
havia mãos que queriam o alvorecer
impune o sol punha brasas no hálito
tudo tão inexplicável como o silencio
que se espraiava no sal da maresia

cumpria-se a tua rota sem bússolas
neste espaço de inquisição e enigma
em que soletro a urgência de lábios
enquanto cavalgo o rocio assustado
e perscruto moinhos para um duelo

18 comentários:

BlueShell disse...

Belo...pela abrangência de tantos cenáios que nos faz saltar de um para outro e quase perder o fôlego...
Maravilha.
Bshell

Luiza Maciel Nogueira disse...

Que beleza Assis esse cheiro de elevação.

Beijo

Everson Russo disse...

Passos que ofegantes e ansiosos devoram os caminhos da vida...abraços de bom dia.

dade amorim disse...

As palavras ficam bem mais livres nos poemas.

Beijo beijo.

Tania regina Contreiras disse...

Nessas preces de quase todos os dias, há sempre uma mensagem (teus versos são também meu oráculo)...e hoje ele me diz que caminhe, que faça a rota sem bússola, que invente e reinvete a estrada. Mas isso é prece-poesia, você sabe: amém, Assis. Beijos

Wilson Torres Nanini disse...

Assis,

desruminando ausência, oxidando silêncios, faço, mais uma vez, a ti a minha vênia.

Abraços!

Nina Rizzi disse...

um número mágico para acompanhar a poema idem.

um beijo.

Celso Mendes disse...

como aprendiz de navegante em sal e silêncio, rezo esta epístola para poder, quem sabe um dia, cavalgar meu rocim e enfrentar meus moinhos com tanta habilidade.

abraço, poeta.

Daniela Delias disse...

Fouad Talal trouxe-me outro dia um de meus poemas favoritos, de Leminski...deixo-te aqui também!

Bj, bj!

moinho de versos
movido a vento
em noites de boémia

vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia

Leminski

MIRZE disse...

Convertidos pela epístola, falta o louvor, que deixo para os pássaros.

Maravilha!

Beijo

Mirze

Rejane Martins disse...

Pás num topo de uma torre a mover flâmula - o silêncio eólico dos cafundós a molinhar.

Zélia Guardiano disse...

...no alforje descansavam as auroras, exaustas de tantos amanheceres...
Ah, Assis,que lindeza de poema...
Bravo!
Abraço apertado

Lídia Borges disse...

Como Dom Quixote navegando no sal e no silencio do desconcerto, em busca da sua Dulcinéia inventada.


Um beijo

Luna Sanchez disse...

Naveguei.

Lindo, parabéns!

Vais disse...

uma embarcação em alto mar de calmarias e ventos brandos
água salgada e silêncio
sem direção na imensidão
um enigma um duelo

beijos


*** um detalhe que passou batido, arrebol é das palavras mais lindas***

Jorge Pimenta disse...

"havia mãos que queriam o alvorecer"
e outras que anunciam entardeceres.
também eu tenho andado às voltas com as mãos e os seus delates.
abraço!

Ingrid disse...

li e reli..
senti e naveguei contigo..
beijo Assis.. sempre.

Cris de Souza disse...

nosso senhor das liras!

cada verso mais sublime que o outro...