terça-feira, 28 de junho de 2011

628 - Sobre a urgência e o repentino dos vossos passos

A tarefa de fazer pertencimento ao mundo
É relatada ao corpo pelo contágio do chão
Dizem os sábios que o vento imanta a pele
A brisa por vez molda saliência na têmpora
A chuva nos tragefa pelo olfato e pelo táctil
Quando amanhece faz relâmpago nos olhos
Aflitiva é a frágil noção de desconhecimento
Assim como o mundo fez princípio no verbo
O rebuliço nas palavras empalidece a carne
Solitária ao mar a ponte espera transeuntes
Metáfora que ressoa no abandono desse cais

18 comentários:

dani carrara disse...

é, o mundo em volta nus molda
sua pastagem e lembrança...

um ótimo dia.

bjo

Meu recanto disse...

Assis, Assis, que coisa magnífica!
Ah, essa ponte solitária, ao mar, à espera de transeuntes... Não fosse este poema, todo ele, um tesouro, já o seria por causa de um único verso...
Abraço.

Meu recanto disse...

Ah, maravilha, Assis!
Essa ponte, solitária, à espera de transeunte...
Lindo demais!
Abraço.

Wanderley Elian Lima disse...

Olá
Sem maiores comentários. Gostei.
AQbraço

Everson Russo disse...

Forte e muito profundo...abraços de bom dia.

Everson Russo disse...

Forte e muito profundo...abraços de bom dia.

Luiza Maciel Nogueira disse...

não sei Assis de onde você tira tanta inspiração. Esse florir sem parar é admirável!

Beijos

Celso Mendes disse...

Urgente é ler suas metáforas para se aprender um pouco de poesia...

abraço!

Primeira Pessoa disse...

zé de assis, só esse pedacim...
"Solitária ao mar a ponte espera transeuntes
Metáfora que ressoa no abandono desse cais" valem mais que um poema.

mil e um desses, não sei se meu coração aguenta.

beijao procê, meu prínssupe.

r.

Felicidade Clandestina disse...

querido,
posso postar algo seu no Reino?


abraços :)

Daniela Delias disse...

Acertou em cheio no que eu sentia hj a respeito dessa tarefa maluca de pertencimento ao mundo...tão bom quando é o outro que diz da gente...

Ma Ferreira disse...

Lindo poema...
abraço,

Ma

Vais disse...

o mundo o chão o vento
um campo magnético atraindo repelindo
subir às nuvens pra fazer relâmpagos nos olhos
este 'Aflitiva é a frágil noção de desconhecimento'
putz, putz, putz
e o mar e a ponte e a metáfora

beijo altamente admirada

Andrea de Godoy Neto disse...

Ah, Assis, esse tal pertencimento que nem sempre nos vem...
poema maravilhoso esse, de ler com a respiração em suspenso

beijo

Ingrid disse...

vida plena e frágil..
sem palavras para esse caminhar..
beijos poeta e obrigada sempre pelo carinho no Perfumes.

Jorge Pimenta disse...

amigo assis,
tenho andado a gerir a vida com um pé na poesia e outro no resto das coisas, razão por que a minha regularidade está aquém da minha vontade. começo esta tríade pelo número 1 para poder captar as sensações que aqui asperges na sequência que tu próprio nos ofereces. sem urgências e no repentino dos teus passos. até de olhos fechados.
um abraço!

Bípede Falante disse...

O contágio do chão vai muito além do contágio da desobediência!
beijos :)

dade amorim disse...

Vai fundo.
Beijo