sexta-feira, 22 de julho de 2011

652 - ode desafeto sobre os conceitos de gato, cavalo e casa

p/ Marcantonio

se me falham sentidos sopro o cerne da palavra
desencontro-me em sede e deserto abismado
comparo o gato a um desengano como Voltaire
em desvario de louco no quarto escuro da casa

se me falham os sentidos sopro o cerne da palavra
então galopo em corcel avermelhado pela tarde
comparo o cavalo a um desengano como troiano
pois no ventre do ser inunda a chaga da destruição

se me falham os sentidos sopro o cerne da palavra
divago sem redenção, sem o fundamento da ilusão
em nada comparo o desterro que impõe o vocábulo
matéria fria, estrutura amorfa do corpo sem sintaxe

15 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

É ler e enxergar aqui o Marcantonio. Nada como um grande poeta para enxergar a alma de outro grande poeta: perfeito, Assis...maravilhoso!
Beijos,

Zélia Guardiano disse...

No cerne da palavra é que mora a questão, o ser ou não ser de tudo, de todas as coisas...
Poema lindíssimo, homenagem mais do que justa!
Assis e Marcantonio: que dupla!
Abraços aos dois grandes poetas.

Celso Mendes disse...

no cerne das palavras tudo se pode, toda poesia se esconde e todo lamento encontra lenitivo.

bela homenagem.

abraço!

Cris de Souza disse...

arrasou, mestre!

o mago merece um poema desta envergadura.

beijosssssssssss.

Everson Russo disse...

Se me falham os sentidos,,,tento fazer poesia de alma...abraços de bom final de semana.

Analuz disse...

Repito aqui o que disse a Lara:

Orgulho de poeta cresce quando ele se sente inspirado por alguém que tem a poesia como missão...

Beijinho de mais um fim de semana, poeta Assis!

MIRZE disse...

ASSIS!

Batalha de almas poéticas. Amo felinos e cavalos.

Beijo

Mirze

Wilden Barreiro disse...

Marcantonio ficou muito bem assim, na intimidade entre poetas, deitado na rede de pijama e cartola.
não faltou nem o pé de pato para os mergulhos emergenciais no mar azul temporário.
abraço
ps: parabéns pela bela entrevista no Roxo-violeta e no Mínimo Ajuste!

Marcantonio disse...

Rapaz, ponho o dedo em cima da dedicatória e leio o poema ele mesmo, um espanto: uma tríade dialética sobre a frustração dos sentidos (vocábulo que tem mais de um sentido)e esse voltar-se por socorro às palavras, soprar-lhes as brasas já mortiças para a insurgência de um fogo mítico que, porém, não irá alimentar as caldeiras que alimentam as forças motrizes da realidade. Para mim, no fim das contas, as palavras também me falham, engendram o logro de um cavalo de Tróia; abrir os portões francamente para elas já prenuncia uma derrota diante das sensações, concretas e sem conceitos, da vida. Antes a coisa sentida, quase inefável, do que o conceito!
Agora, se pudesse tomar ao poema um verso que me definiria seria este: "divago sem redenção, sem o fundamento da ilusão", para o meu próprio desassossego, diga-se.
Tiro o dedo de sobre a dedicatória, outro espanto, meu nome associado a a um poema belo desses!

Obrigado, Assis! E também pela entrevista que me revelou insuspeitadas afinidades.

Um abração!

Luiza Maciel Nogueira disse...

Assis e Marcantonio - dois grandes - unidos imensos

:)

beijos

Jorge Pimenta disse...

não te falham os sentidos, não, amigo assis; eles explodem em remoinhos de inquietações para, no instante seguinte, se reconjugarem na mais completa das estruturas nefilinas segura das suas próprias asas. o voo é a demanda e todo o círculo em que ela se aplaina.
forte abraço para ti e para o marcantónio!

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Corpo sem sintaxe: sinta-se, síntese...
Imenso, imensurável poema, ò poeta de feiras fartas...
Se por "desafeto" homenageias assim, imagine-se afetivamente! O homenageado iria ao infarto...

Abraço fartando amizade,
Ramúcio.

Eurico disse...

E o cerne da palavra é fluxo...
Esse fluxo do qual só nos aproximamos em estado de poesia.

Parabéns pelo poema, de merecida homenagem.

Abraço os dois Poetas.

Ingrid disse...

tua palavra sempre viva ..
e vive.
beijo querido..

dade amorim disse...

Nada falha em teus poemas, Assis. E junto com esse poeta destinatário, impossível resistir.
Beijo aos dois.