segunda-feira, 25 de julho de 2011

655 - réquiem para a última cor harmonizada da primavera

Preciso afugentar a ponte que me liga a tua ausência
Criar embaraços para o amaro regurgitar do pretérito
Derramar as prateleiras onde teimam em se esconder
Aqueles livros fantasmas que anunciam os encontros

Com apreço contentarei neste existir desassossegado
Serei o próprio cão que faz teatro para as carruagens
Mas eu mesmo nunca mais embarcarei em propósitos
Estarei atento para quando o silencio pedir passagem

Preciso afugentar a ponte que me liga a tua ausência
Mesmo que as minhas chagas lancinem em convulsão
Mesmo que as lápides das paixões anunciem no vazio
Preciso afugentar a ponte que me liga a tua ausência

19 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Assis, meu querido
São terríveis as pontes que nos ligam a ausências! Via de regra são indestrutíveis! Dinamite , para elas, é dose de fortificante... Ai...
Maravilhoso este réquiem !
Boa semana!
Abraço, amigo.

Ma Ferreira disse...

Bom dia!!

Parabéns pelos versos tão belos falando da saudade.
Acabei de visitar o blog do meu amigo R.R.Barcellos que postou um poema sobre o mesmo tema.
Parabéns pela sua arte!

Ma Ferreira

Tania regina Contreiras disse...

Pontes para a ausência: nossa, há muitas...e eu não havia pensado!
Beijos,

Analuz disse...

"Serei o próprio cão que faz teatro para as carruagens
Mas eu mesmo nunca mais embarcarei em propósitos
Estarei atento para quando o silencio pedir passagem"

Uau!! Adorei...

Beijinho encantado, poeta Assis!

Ingrid disse...

o amar solitário..
deixado a sentir ausências..
perfeição em teus versos.
beijos Assis..uma linda semana.

M.C.L.M disse...

"Aqueles livros fantasmas que anunciam os encontros..."

Lindo!!

Celso Mendes disse...

os caminhos que levam à saudade possuem o silêncio um vazio pungente e doloroso.

grande abraço, poeta.

Luiza Maciel Nogueira disse...

faço do teu poema minha prece

m beijo

MIRZE disse...

ASSIS!

Um réquiem para ler ajoelhada.

"Preciso afugentar a ponte que me liga a tua ausência
Criar embaraços para o amaro regurgitar do pretérito"

DIVINO!

Bravo!

Beijo

Mirze

dade amorim disse...

Bonito e angustiado poema.

Beijo pra você.

Eurico disse...

Palavras cortantes, imagens afiadas como lâminas.
Um texto inquietante.
Um réquiem à cor desbotada da primavera que se esvai...

Abç fraternal.

Daniela Delias disse...

Belo, belo poema...

Bípede Falante disse...

Assis, eu sei que você sabe o quanto eu gosto dos seus poemas. E eu sei que você está até mesmo cansado de ouvir tantos elogios. Mas esse seu poema de hoje, com essa ponte de conectar ausências, de conectar as presenças nunca permitidas, a distância jamais alcançável está de derrubar qualquer palavra, qualquer criatura e todos os sentimentos. Belíssimo poema. Um poema entre raros poemas. Único. Parabéns. Parabéns! Parabéns!!!!!!!!
Beijos :)

dani carrara disse...

bonito de chorar.

bjo.

Lara Amaral disse...

De tanto enfatizar o precisar estar longe, se aproxima cada vez mais.

Belo, poeta!

Jorge Pimenta disse...

afinal, há pontes que separam e rios que naufragam dentro do corpo...

Vais disse...

Assis,
te conto um troço
leio e me param os olhos
piscando para molhar o olho
mas pensando bem é o rosto que pára
e leio

beijos

Cris de Souza disse...

" e precisamos todos rejuvenescer..."

que beleza de poema, mestre!

Anna Amorim disse...

Assis,

Quando o outro já não está ficamos impregnados de uma presença tamanha. É a ponte que nos liga, que nos mantém, vivos-mortos num tempo que já não existe.

Beijos poeta,

Anna Amorim