quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

58 - AUTO-CONTRASTE II

O rio consome a água
Como a veia consome o sangue
Como o sertão consome a enxada
Como a vida consome o dia

A resma consome a folha
Como o enxame consome a abelha
Como a tribo consome o índio
Como o cardume consome o peixe

O vento consome o sopro
Como a ilha consome o mar
Como o fogo consome a água
Como o amor consome a dor

A palavra consome o verso
Como a rima consome a estrofe
Como a língua consome o verbo
Como o espírito consome o corpo

Pouco a pouco
Pouco a pouco

4 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Retribuindo a visita ao Leitora, aproveito para passear por seu blog, seus poemas.
O conto de Hélio ao qual vc se refere é um grande conto realmente: Mar de Azov.
Voltarei.

Moacy Cirne disse...

Muito bom, meu caro, Versos precisos. Em tempo: 'A comilança' foi dirigido por Marco Ferreri. Um abraço.

Rafael Castellar das Neves disse...

Além de bem feito, é divertido...lê-se com um riso ao ver coisas simples colocadas de forma agradável e diferente...

Abraço,

Rafael

Mai disse...

São coletivos singulares onde o coletivo é antropofágico.

Abraços.