terça-feira, 22 de dezembro de 2009

71 - madrigal anunciado

não espere
que eu volto nunca mais
nem mesmo para não dizer
ficar amuado em silêncio
e recontar
os vitrais da amurada
como a vez que aconteceu

não, não espere
que eu volto nunca mais
nem mesmo livros
nem mesmo dúvidas
não, não espere

corre o risco de ficar à toa
esse rosto que persigo
e que nunca ofereceste
corre o risco de se perder
o ser que colhe a reticência
que emprega dois pontos

não espere
passos voam em direção
os equívocos estão postos
as quimeras desfeitas
o que não foi, foi feito
não espere
que eu volto nunca mais

3 comentários:

nina rizzi disse...

pois é, é sabido que adoro madrigais.quanto a mim, volto, visse.

me lembrou lisbon revisited...

cheiro, seu moço.

Gerana Damulakis disse...

Um dos mais bem realizados. Inclusive pela transgressão no "não espere/ que eu volto nunca mais". Espera-se o "volte", mas vc joga com o inesperado.

Mai disse...

"...eu adoro home brabo..." (risos)
Você condensa e faz extrato de poesia.
Maravilhoso.
P.S.

Recebi " o Ulisses no Supermercado"
Presentão, Assis.
Um super hiper obrigada.

Um bom natal prá ti e que possamos sempre ter as melhores palavras uns para com os outros.

Paz!
Oportunamente comentarei sobre o livro, tá bem?