quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

66 - Poema de puro tédio

Há de se gerar raízes e pétalas
Faunos consumindo gerânios
Inverter as simetrias:

Há de se opor aos cérebros
Mendigar cheiros e fragrâncias
Interceder os gestos:

Há de se mastigar interjeições
Masturbar consoantes e plurais
Inventariar mistérios:

Há de se perverter a sobriedade
Dar destino ao arredio, ao que sobra
Interditar as verdades:

6 comentários:

nina rizzi disse...

dos melhores, camarada. spleen baudelaireano.
cheiro de antagonias...

Mai disse...

Há que se cuidar do poema e do poeta.
O mais belo tédio já lido.

cheiro.

nina rizzi disse...

querido, vc pode me fazer um poema da mais pura sordidez? um mote?
os capitalistas, serpentes,
não suportam o cuzinho dos vagalumes a brilhar... rsrrs...

cheiro, do mar pra onde sigo agora...

Gerana Damulakis disse...

Sugestão (não sou dona da verdade): em lugar de "Há que", que tal "Há de". Depois me diga, é apenas uma discussão literária, sem pressão, nem pretensão de minha parte. Este tipo de debate é instigante, apenas isto.

Gerana Damulakis disse...

Você mudou! Que loucura, era apenas sugestão porque o "há de" carrega um quê de promessa, ou de profecia, talvez um quê de mistério. Queria apenas suscitar um debate com você.
Ficou incrível, mas enfatizo que foi uma sugestão, estou longe de ser poeta e mais longe ainda de me achar dona da verdade.
Ficou incrível, repito. leia em voz alta para sentir, veja como ficou profético.

Lavinia Andrill disse...

Poeta de imensurável grandeza que, se curva diante de uma sugestão de uma leitora e fã! Essa, sem duvida, tal qual o poeta, senhora das palavras! Muito pertinente a sugestão. Poeta, entre tudo o mais, me encanta essa tua humildade! Abraços. Lavinia Andrill.