terça-feira, 1 de junho de 2010

232 - poema de urgente reinvenção


p/Nina Rizzi

açodar os verbos com incongruências
despertar a moura poesia das urgências
acalentar de pássaros o silvo nas sílabas
adoçar a respiração com chiados da ribeira
prestar relevância no improviso do destino
pegar certo desgosto no que está escrito
até o poema virar um pedaço de nuvem
e ficar feito sombra pairando no quintal

20 comentários:

líria porto disse...

que beleza, assis - ninadi merece!
besos

Marcantonio disse...

É de ficar pasmo! Estou aqui reverenciando essa sombra que paira. É uma Poética!

Abraço de admiração!

Tania regina Contreiras disse...

O menino Assis me lembrou de algum modo meu poeta querido, Manoel de Barros. Que coisa mais cheia de beleza pura, Assis. Nina, olha só que presente!!!

Abraços,
Tânia

Lara Amaral disse...

Coisa linda! Vejo poeta e poetisa nestes versos. Assis e Nina numa dança poética.

Beijos nos dois!

Maria Vieira disse...

ando excluída do mundo virtual, quando posso, corro pra ler o que me lembra que a poesia persiste. a produção desta sua semana foi especial! balada do encontro sem fim é uma das mais bonitas que li por aqui. a começar pelo título-verso. e este... é homenagem ao Fazer.
abraço!

Macaires disse...

A poesia da natureza se recita na beleza do viver...

Belíssimo texto!
Um beijo!

nina rizzi disse...

ah, o que eu digo numa hora dessas que faça caber o carinho que eu tenho por vc e sua poesia, assis? talvez eu não precise mesmo dizer nada, vc sabe. isso basta, né?

eu beijo, como, cuspo e lambo e cheiro e tomo e tudo, o 'nosso' poema.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Assis,
Poema para Nina Rizzi? É ganhar hoje o seu amanhã, e seu hoje agora mesmo...
E que coisa mais bonita, do poema ser "um pedaço de nuvem pairando no quintal"...
Metáfora de sóis e chuva!

Abraço nublado e ensolarado,
Pedro Ramúcio.

Andrea de Godoy Neto disse...

Assis, diante dessa lindeza,

um suspiro! dos mais profundos...

abraço

Lou Vilela disse...

Belíssima homenagem, Assis! A Nina merece e desenvolve um trabalho que ins.pira. ;)

Abraços

Adriana Karnal disse...

a Nina, açoda, adoça...Nina vai bem com o jornal e o café da manhã.

Mirze Souza disse...

O poema em estado de nuvem!

Espetáculo, Assis!

Parabéns, poeta!

Beijos

Mirze

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"pegar certo desgosto no que está escrito" esse desgosto, creio eu, nos leva ao descobrir de coisas realmente importantes que às vezes nos perde ao escrever o que acreditamos relevantes

Jorge Pimenta disse...

já viste, querido amigo, como, de repente, dissuades o mais tenaz dos poetas a fazer poesia?...
ser capaz de escrever as nuvens e deixá-las a pairar no quintal exige açodar verbos, despertar, acalentar o silvo das aves, adoçar a respiração, conceder importância ao improviso e pegar o desgosto no que está escrito. nada mais simples, verdade? mas só para a tua maestria, assis. a nina sorri, certamente, com algum embaraço pueril; nós, que te lemos, aplaudimos de pé!
um abraço!

nina rizzi disse...

neguinho, eu já havia separado seu contralto, mas depois dessa, me desembaraço e te ellenizo ;)

beijos.

Lídia Borges disse...

Um poema é quase sempre algo mais para além dos versos, das estrofes... Às vezes é mesmo esse "pedaço de nuvem" como uma "sombra a pairar no quintal" da nossa inquietação.

Gostei muito!

L.B.

Insana disse...

Lindo de Mais ..

Bjs
Insana

Mai disse...

Poema com todos os adjetivos e superlativos que cabem a ti, tua poética e à Nina.
Belíssimo!

Primeira Pessoa disse...

rapaz, trem medonho de bonito...
e ainda dedicaod à nina...
qué mió?

cada vez que venho aqui fico agoniado, pensando que "é um poema a menos"...
precisamos rever certas promessas.

o que diz, meu poeta favorito em todas as baías?

beijão procê do seu amigo e fã, o
roberto.

Gerana Damulakis disse...

Perfeito!