quinta-feira, 9 de setembro de 2010

332 - Poema de pura aspereza

Prendo-me a ourivesaria da palavra
labor de atroz operário
que segue a sina sem louvor

usina de sons e estribilhos
querem-me ferir os ouvidos

atento ao sino casto
cumpro carpir cognatos

e sendo inteiro o meu fervor
deito rédeas e esporas
para que não me finja o vocábulo

16 comentários:

Everson Russo disse...

Sempre versos fortes e intensos...uma bela quinta pra ti amigo...abraços.

Marcantonio disse...

Assis, mais um excepcional poema sobre poemas. Contra a facilidade dos estribilhos reincidentes, o rigor atento ao sino casto (que imagem!)do rigor que chama à razão o poeta-ourives. Pegar o caminho menos fácil, fez, e fará sempre, toda a diferença!

Abração!

Domingos Barroso disse...

Magnífico.

O criador a lapidar
a montanha: com suor,
esmero e espanto.

Forte abraço,
camarada Assis.

Lívia Azzi disse...

"atento ao sino casto
cumpro carpir cognatos"

Escrever é mistura de desejo e necessidade de contrapor nossos vazios com a vastidão das palavras...

Corre-se muitos riscos, é claro. Mas antes de uma tarefa paradoxal é um dever cumprido, respaldo de intensa leitura e reflexão.

Um beijo!

dade amorim disse...

Poeta é assim - precisa falar de seu ofício, que afinal preenche mais de metade de seu tempo. E quando fala dele, reinventa o poema.
Beijo pra você.

Luiza Maciel Nogueira disse...

Poeta de imagens espetaculares!

beijos

Gerana Damulakis disse...

Ótimo!

Jorge Pimenta disse...

a arte poética e seus labores. como torga, a poética faz-se com suor, lavrando, dobando, talhando, prospectando...
hoje já nem os românticos acreditariam apenas na inspiração...
um forte abraço, poeta!

Zélia Guardiano disse...

Até na aspereza seus versos são macios e leves como plumas...
Abraço, Assis, querido!

Mirze Souza disse...

A palavra é de ouro.....
O labor.....de prata

Carpir cognatos ao som de sino casta!!!!!!

Espetacular!

Beijos, poeta!

Mirze

Primeira Pessoa disse...

assis,
após um de meus rompantes, o renato vira-se pra mim, e diz:
- hoje você acordou mais grosso que papel de embrulhar pregos.

e eu:
- acordei lixa.

e encerrei, áspero.

esporar o verbo? que sangre, então.
goasto do poema que me deixa, à mão, um cabo de guarda-chuva, ou um ponto de interrogação.

beijão, ó de ondina!

r.

Lau Milesi disse...

Ourives costumam trabalham com ouro e o transformam em jóias maravilhosas. Você "doura" as palavras com seu talento e as transforma em pedras preciosas. Lindo, seu poema, poeta.
..."usina de sons e estribilhos
querem ferir os ouvidos. Acredite, "ouvi" os sons da usina das palavras. Fiz uma confusão, mas você deve ter entendido que amei seu poema, não é Assis?
Beijosss, poeta.

Adorei o "nojentinho " do bomeco.[rs]

Anônimo disse...

Pude ver uma bela imagem em cada frase, Assis compondo o verso. Hoje te elogio pelo show de belas imagens em poucas palavras. Bom fim de semana.

Oria Allyahan disse...

Olha só: Assis, o ourives! Quem faz - no oceano de suas inquietudes - as palavas reluzirem como jóias preciosas.

Eu aaaaaaaamo metapoemas!

Adorei, muito lindo!

^^

Daniela Delias disse...

E quanto poema lindo nasce dessa usina...

Anônimo disse...

Sigo seu rastro pois és um dos mais atentos, faz jóias de ouro de palavras de latão, és verdadeiro alquimista das letras.

=)