sábado, 25 de setembro de 2010

348 - Pensamentos rápidos sob o sol inclemente

Pensamentos rápidos sob o sol inclemente
Me vem a mente um filme de Resnais
Ou seria aquele trailer do Estrangeiro
Purificai as minhas mãos de tantos cantos

Camus deu-me força a julgar o pôr-do-sol
Há muito de alucinante em um crepúsculo
Mas seria Resnais ou o trailer Estrangeiro
A dúvida me comove como um carpinteiro

Pensei em criar mancúspias a la Cortázar
Mas são tão difíceis de domesticar
Dizem que seus dentes crescem demasiado
Tarefa inútil aparar caninos por toda a vida

Mas seria tão doce assim uma felina vida
Tenho comigo algo como solstícios
Mas por qual hemisfério me orientar
Continuo ermo e distante: eqüidistante

20 comentários:

Ingrid disse...

um bom dia Assis!.. começas já com um belo poema..
beijos.

Everson Russo disse...

Que esse por do sol seja a cada tarde uma pintura na alma do sentir...abraços de bom sabado.

lmssp disse...

prof!!! q saudade de vc... mais de qdo encontrava pelos corredores do cau II (tvu - cerimonial) do q na sala de aula (letras vernáculas, n lembro de q ano)... aquelas viagens de se colocar no lugar de uma porta n me davam barato nenhum!

vou te seguir

Luiza Maciel Nogueira disse...

deixa Assis, o verso brotar tal como andas fazendo que é uma maravilha poder ler-te!

beijos

Fred Caju disse...

E assim é o dia: brilhar, e brilhar intensamente até que possa iluminar toda escuridão.

Insana disse...

Fico encantada com suas palavras.

bjs
Insana

Feeling what the other feels disse...

Palavras de Assis, astuto, tem os requisitos e qualidades necessárias para produzir o efeito certo a cada poema publicado. Usa as palavras com encanto. Tenta e consegue. E eu mais uma vez, levo-te.
Beijo meu, querido Assis.

Lua Nova disse...

Ler-te e reler-te e descobrir sentidos escondidos em imagens de crepúsculos pelos 4 cantos...
Adoro tua poesia...
Beijokas, meu querido poeta.

Wanderley Elian Lima disse...

Tem hora que nos sentimos completamente perdidos. O melhor é seguir o rumo de seu coração.
Abração

Luiza disse...

"Mas seria tão doce assim uma felina vida"...lindo...lindo demais...
Beijooo

Lídia Borges disse...

Muitas referências numa intertextualidade interessante.
Encontrar o caminho próprio é sempre o desafio mais motivador.

L.B.

Zélia Guardiano disse...

Assis
Tens uma cartola, dentro da qual pululam palavras mágicas...
Lindo!
Abraço, meu amigo!

Jorge Pimenta disse...

as tuas referências são o mais fino licor que podemos homenagear com um trago longo e demorado. para quê os hemisférios na orientação, quando temos camus, cortázar, borges...
um abraço, poeta!

Vanessa Souza Moraes disse...

A gente rega umas plantinhas, e elas morrem secam.

Outra ervas daninhas, crescem demasiado.

Onde andará o adubo certo?

Cris de Souza disse...

Relâmpago na mente alheia, clarificando o apuro.

Gerana Damulakis disse...

Adoro esses poemas que chamam por outros escritores.

dade amorim disse...

Lindo e competente como sempre.
Às vezes acho que todos esses mil poemas são um só.
Beijo, Assis.

Lau Milesi disse...

Lindo, forte e diferente.Um lindo poema abrigado por uma bela prosa. Adorei!O Sol inclemente costuma nos levar a ter dificuldades com a memória, daí talvez pensar en Resnais, será? Nada de Meursault, do Estrangeiro.Nada de dúvida. É o Assis, o poeta. :) Viajei no seu poema. Foi bom vir aqui. Estava mais para solstícios: parada...
Parabéns, poeta.
Beijo

Mirze Souza disse...

Eu gostaria de ter a sabedoria que só os felinos ensinam.

Um poema de belíssimas imagens!

Beijos, poeta!

Mirze

Rejane Martins disse...

compartilho no ar, no carpir das ilhas onde estou
avento e cismo no brilho: quanto de sol há na lua?