sexta-feira, 10 de setembro de 2010

333 - Fantasia de menestrel apanhador de brisas

Vem fecundar os segundos desta manhã
Com a prenhez das tuas mãos
E afugentar os ventos aziagos
Que me fazem volta aos sentidos

Deixa-me ser teu gentil carpinteiro
A esculpir alvoradas
A delinear com a brasa da saliva
Este território em que me habitas


* O poema acima é filho deste abaixo. O poema de Moacyr Félix me acompanha há muito tempo, quando as paixões violentas corriam nas vastas encostas e havia sempre luzes para recomeçar.

VEM!

Não me deixa sozinho,
catavento à mercê de um vento frio.
Vem
encher com teu corpo de moça
o vazio, o imenso vazio...
Vem
apagar toda esta dança de luzes
luzes loucas, loucamente piscando
na cidade escura dos meus pensamentos!
Vem, depressa, vem
abrigar o meu impulso de fim
como um rei entre as tuas coxas
ou trazer nos lábios o esquecimento
das coisas que eu desconheço
mas são brasas
aprisionadas dentro do meu cérebro.
Vem
empurrar com a carícia de tuas mãos
esta noite estranha que cresce, que cresce...

17 comentários:

Everson Russo disse...

Mas vem logo, que a solidão me devora....belissimo meu amigo...abraços de bom final de semana.

Oria Allyahan disse...

Com um pedido desse...
Que belos versos!

^^

Bípede Falante disse...

Que lindo!
Estou em um dia difícil, mas enternecida com as suas palavras.
bj.

Zélia Guardiano disse...

Pois o filho saiu ao pai, meu querido Assis: ambos muito lindos!
Grande abraço!

Luiza Maciel Nogueira disse...

heterônimos de Assis :)

adorei esse Moacyr Félix, quero ver mais poesia dele

beijos

Luiza Maciel Nogueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiza Maciel Nogueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
dade amorim disse...

Que boa surpresa, ver o poema de Moacyr Felix, que conheci aqui no Rio, nos anos 80, amigo de uma amiga.
Lembro bem dele, em sua editora, num papo com a gente e o Pedro-esqueci-o-sobrenome, crítico e colunista do JB. Bem o estilo dele. Um cara muito legal.

Beijo pra você.

Lara Amaral disse...

Diria que são poemas-irmãos.

Coisas lindas postou aqui, Assis, vi uma continuidade tão grande de uma escrita para a outra que as artes dos dois poetas se fundiram.

Lindo!

Beijo.

Mirze Souza disse...

Assis!

Continue apanhando brisas e esculpindo alvoradas.

Afinal, é sua a genialidade que arranca suspiros!

O "pai" é de um domínio intenso!

Bravo, poeta!

Beijos

Mirze

Gerana Damulakis disse...

Uma beleza, melhor dizendo, de uma beleza enorme.

Eder Asa disse...

Melhor dizendo, duas belezas enormes!
Que pedido! Assis fica fácil consquistar, as moças e os fãs!

Lindo, Assis!

Pólen Radioativo disse...

Que alegria conhecer este espaço de mil e um encantos...
Fecundaste uma alvorada em minha retina neste instante...

Um beijo!

Lau Milesi disse...

Noooossa Assis, que poemas lindos, sensuais... Tal pai, tal filho.Taí um caso em que a hereditariedade não é um fator de risco...[rs]
Dei um copy nos dois, tá? Mas sempre levantei a bandeira dos direitos autorais, não se preocupe.
Um beijo, poeta talentoso.

Eurico disse...

Esse 333 está belíssimo e nada deve ao poema, também excelente, que o motivou.

E segues em boa produção, rumo ao 1001. Sigo-te!

Abraço fraterno.
E salve a Bahia!

Lou Vilela disse...

São poemas de se nos acompanhar por uma vida - ou mais. ;)

Um cheiro

Lua Nova disse...

Quem sai aos seus, não degenera...
O "pai" nos toca a alma e o "filho" arrebata-a...

Simples assim...

Teus mil e um poemas poderiam tornar-se um belíssimo livro.
Faço, já, minha encomenda... rsr
Beijos, meu poeta.