terça-feira, 14 de setembro de 2010

337 - canção imprevista em réstia de luz

tínhamos a inclemência do olhar
nesse jeito de nos doar corpos
silvo de estrada na ponta dos pés
beijos e chapinhas quentes de pão

ouvir canções à beça para aplacar
o calor que vinha de mãos em mãos
e ter sempre no armário geléias
que purificavam o sabor dos poros

e mesmo quando se rompia o elo
afagávamos a distancia com zelo
éramos sempre o inesperado feitio
bonecos de molde, barro imperfeito

19 comentários:

Bípede Falante disse...

Parece tão luminoso e perfumado esse ter.

Domingos Barroso disse...

Sorvo em cada gesto
(das palavras)
um mundo vasto
de lembranças.

Um poema aprazível
e imensamente delicado.

Assis, camarada
forte abraço.

Everson Russo disse...

Afagavamos a distancia com zelo,,,isso é muito profundo...abraços de bom dia pra ti amigo.

Mirze Souza disse...

Imagino o poema 1001!

Delírios meus, nesta inclemência de olhar, nesse romper de elos, e nessa distância que com zelo se afaga.

Barro PERFEITO!

Bravíssimo!

Beijos

Mirze

Luiza Maciel Nogueira disse...

feitos de barro o homem se molda
aos acontecimentos - mas essa poesia abarca das profundezas do molde - o encontro

beijos

Marcantonio disse...

"e mesmo quando se rompia o elo
afagávamos a distancia com zelo"

Dois versos que me falam especialmente em meio a uma canção elevada.

Grande abraço.

Oria Allyahan disse...

Réstia de luz que, de tão intensa, cega!
Que lindo poema.

^^

Gerana Damulakis disse...

Perfeito!
Réstia de luz, amo esta expressão, é título de um poema de Ildásio Tavares dedicado a mim.

Lídia Borges disse...

Como uma viagem por caminhos repetidos muito além do imprevisto.

L.B.

dade amorim disse...

Afagar a distância com zelo é um achado da saudade e uma doçura, Assis.

Cris de Souza disse...

O lirismo parte do título, percorre todo o corpo do poema e penetra na alma.

Lindeza!

Beijos, Assis.

Wanderley Elian Lima disse...

Nem a distância foi impedimento para se demonstrar o amor e os desejos.
Abração

Lau Milesi disse...

Sei não...mas esse elo não se rompia.Muito forte essa ligação. Belíssimo, iluminado, diria. Parabéns, poeta!!
Um beijo

Úrsula Avner disse...

Olá poeta,

é com esmero e sensibilidade que você tece cada verso onde o lirismo transborda e encanta. Um abraço amigo.

Jorge Pimenta disse...

é este um traço que cruza a generalidade dos teus poemas: por mais barro imperfeito que molde os pés, há sempre réstias de luz a apontar o caminho. exemplar!
um abraço!

Eurico disse...

A memória e o tempo...
muito bom esse reencontro com pequeninos pretérios a partir de uma réstia de luz...

valeu!

abraço.

Eurico disse...

são pequeninos pretéritos...rs

Eder Asa disse...

geléias que purificavam o sabor dos poros, são as melhores =D

Abraços..

Lara Amaral disse...

Amor pré-moldado; paixão, não.

Beijo.