quinta-feira, 15 de julho de 2010

276 - Réquiem profano ao entardecer

Protejam-se de todos os silêncios.
Mantenham a distancia necessária
ao contato das palavras e versos.

Afastem sobretudo as crianças
- para que não fiquem encantadas
de melancolia -
Porque neste canto a tarde sangra
e eu espalho com crueldade e magia
o sabor, o êxtase, o vício, o lúdico.

Ofereço a ourivesaria dos sentidos
para aqueles que estão desprovidos
ou se masturbam em ambições cotidianas.

Destino uma cota de sutil metafísica
a materialidade da ordem vigente.
Emplumo de flores dedos e pássaros
e acaricio teus desejos mais abjetos.

Desfaleço entre os azuis que entardecem
para vingar a correnteza eterna dos rios
e a sufocante repetição de tantos dias.

20 comentários:

Everson Russo disse...

Um poema forte e intenso,,,e é dificil nao se encantar pela melancolia,,,abraços de bom dia.

Marcantonio disse...

Pela amplitude da percepção do poético, não é profano, mas sagrado. É dos melhores poemas que li aqui. Que belo:

Destino uma cota de sutil metafísica
a materialidade da ordem vigente.
Emplumo de flores dedos e pássaros
e acaricio teus desejos mais abjetos.

Quase um manifesto.

Grande abraço, Assis!

Em@ disse...

Assis:
Forte este poema, cheio de imagens bonitas.

"Desfaleço entre os azuis que entardecem
para vingar a correnteza eterna dos rios
e a sufocante repetição de tantos dias.": soberbo!

um abraço

Luiza Maciel Nogueira disse...

tanto sufoco, deixas-me sem ar
repeteco dos dias, azuis a desfalecer, ah melancolia ao raiar do dia. E na noite Assis, na noite os olhares brilham..tua poesia repercutiu assim aqui.

Beijos

Zélia Guardiano disse...

A rotina, amigo Assis, a rotina...
Ai...
Abraço

dade amorim disse...

Ai, a correnteza eterna dos rios
carrega nossas ambições cotidianas.

Beijo encantado.

Lara Amaral disse...

Mesmo que os dias se repitam, e que não pareça mais haver palavras para toda a nostalgia, sua poesia só se renova e me encanta mais e mais, poeta!

Ribeiro Pedreira disse...

da melancolia dos dias brotam pétalas suaves.

Ana SS disse...

Seria um pecado afastar as crianças disso...!

Insana disse...

Nossa hoje você foi ferfeito..

bjs
Isana

Batom e poesias disse...

Eu, encantada de melancolia, recolho a poesia que espalhas.
Aceito e careço da tua ourivesaria dos sentidos.

E agradeço pela beleza do poema.
bjs

Rossana

Mirze Souza disse...

Belíssimo, Assis!

Que os rios compreendam este desfalecer para vingar a repetição.

Beijos

Mirze

VIEIRA, Vanessa Gonçalves disse...

Dífícil, simpático,atraente... sem palavras para descrever sensações me impostas por esse poema!! Mas uma coisa tenho certeza, mesmo não sendo criança fiquei encantada com sua melancolia! PArabéns!!!!!

Lou Vilela disse...

Dê-me a escolha - quero o "contato das palavras e versos"; quero entarde_ser.

Consegui atualizar a leitura, entretanto, diante do tempo exíguo, não pude comentar todos os poemas.

Beijos saudosos

Andrea de Godoy Neto disse...

Este canto encanta os sentidos, desfalecidos entre azuis que entardecem...

Assis, poemaço esse, daqueles de encher o peito da gente

um beijo

Jorge Pimenta disse...

ena, assis, diante deste requiem tenho de deixar-me morrer com um sorriso no lábios... magnífico, pois.
(sabes uma coisa? não consigo manter a distância ao contacto das palavras e dos versos...)
um abraço!

Tania regina Contreiras disse...

"Ofereço a ourivesaria dos sentidos
para aqueles que estão desprovidos
ou se masturbam em ambições cotidianas".

Que coisa, Assis...que encontro tão marcante com seus versos hoje...Pego-me arrebatada por eles. Tomaram um espaço enorme em mim hoje.
Abraços,
Tânia

líria porto disse...

a última estrofe, por si só, é um grande poema.
besos

Gerana Damulakis disse...

Desfalecer entre oa azuis que entardecem: poesia, muita poesia.

Mai disse...

Faleci!

Me imaginei lendo em voz alta ao som do Requiem de Mozart;

mil e um cheiros