sexta-feira, 12 de agosto de 2011

673 - rapsódia para quando ventarem os girassóis de agosto

depois que ela se foi com as intempéries de agosto
eu fiquei com esta face em desalinho: os pés atados
caminho sobre pedras como se em lanças afagasse
tenho dito as cotovias que nenhum canto nos salva
mas elas insistem e eu fico atônito entre sustenidos
outro dia lagartos deram de açoitar versos e estrofes
queriam o sabor das auroras em germinação estéril
depois que ela se foi com as intempéries de agosto
meus instintos se arvoraram em verbo ensandecido

12 comentários:

Angélica Lins disse...

"outro dia lagartos deram de açoitar versos e estrofes
queriam o sabor das auroras em germinação estéril"


Escreves como quem faz uma novena para a poesia transformar-se em vida.

Aplaudo você em pé.

Everson Russo disse...

A sempre triste partida de alguém...abraços de bom final de semana.

Wanderley Elian Lima disse...

É sempre assim, nunca estamos preparados para as perdas.
Abraço

dani carrara disse...

com três sementes
de van gogh
surtei da janela
pulei na vida.

um beijo.

p.s: mas plantei em maio. eles giram em maio. e ventam até hoje.

Celso Mendes disse...

versos ensandecidos que apontam na direção do aguardo dos girassóis de agosto e penetram olhos leitores.

abraço.

Luiza Maciel Nogueira disse...

belíssimo Assis, a poesia mora mesmo nos olhos de dentro. beijo

Domingos Barroso disse...

é um verbo lúcido
um coração vasto
e uma alma atenta,

tudo que vem de ti
e vive em ti
...


forte abraço,
irmão.

MIRZE disse...

Grande, ASSIS!

Que venham os girassóis!

Beijo

Mirze

Cris de Souza disse...

teu verbo ensadecido clareia meu olhar.

dade amorim disse...

Desalinho de girassol é quadro célebre, é loucura de ver.
Beijo, esse menino.

Ingrid disse...

o calor da ausência..
Beijos Assis querido

Vais disse...

Demais esta linha, Assis, este verso

'outro dia lagartos deram de açoitar versos e estrofes'

beijos querido poeta