domingo, 21 de agosto de 2011

682 - ária de preceito para adaga e lenço branco

não me soube vento em passeio por tua pele
como não me sabia sopro no encargo da voz
não me sabia sinal das tuas possíveis cartas

acumulei de presságio duna e branca nuvem
no céu habitei retinas de horizonte e arrebol
no caminho de lajedo e pedra deslizei silente

não me soube augúrio no passo da chegada
não sabia que no fado da água povoa soluço
de nada sabia e me afogavam língua e verbo

11 comentários:

MIRZE disse...

Bandeira branca, amor.....não posso mais.....

Lindo soluço que povoa a água do fado.

Beijo

Mirze

Analuz disse...

A poesia se rende apenas a olhos sensíveis...

Beijinho com imensa admiração, poeta Assis!

Rejane Martins disse...

árias em acalanto, num desassossego só, como num berceuse de Fauré.

Everson Russo disse...

Um apelo ao sufocado amor...abraços de boa semana pra ti amigo.

Celso Mendes disse...

a língua e o verbo nem sempre sabem, querem apenas o sentir.

maravilha de ária.

abraço!

Ingrid disse...

sentir cortante ..
beijo Assis e lindo domingo querido

Anna Amorim disse...

Assis,

"de nada sabia e me afogaram língua e verbo"

Belíssimo!

Beijos,

Anna Amorim

Lua Nova disse...

O saber nem sempre importa... Importa sentir, deixar-se envolver pelas palavras, pela magia dos teus versos que carregam a alma em vôos inesperados.
Beijokas.

dade amorim disse...

Nessas "retinas de horizonte e arrebol" aprende-se o que nada se sabia.
Obrigada pela lembrança, Assis, e um beijo.

Jorge Pimenta disse...

augúrios crepusculares inaguram dunas de intenso branco. mesmo que entre alvoroços de língua e afasia de verbo.
abraço rítmico!

Luiza Maciel Nogueira disse...

O melhor de ti é esse pouco saber e tudo sentir até o libertar do verso antes na gapreso na garganta. Beijo!