sexta-feira, 26 de agosto de 2011

687 - ária de desamparo para canto coral e violino solo

urgem os arrepios nesta trilha de rubro
cantem os desatinos
urgem medéias, tristãos, édipos e infantes
cantem o desencontro
urgem rosas, violetas, jasmins e girassóis
cantem os destemperos
urgem mãos que enlaçam retina e fronte
cantem o desassossego
urgem ritos para incendiar pontes e ilhas
cantem os desvarios
urgem demônios cavalgando as palavras
cantem o desalinho
urgem trilhas para os incautos e insanos
cantem os desenganos
urgem moitas, veredas, soslaio e gravatás
cantem o desembaraço
urgem aflição, medo, atavio e desespero
cantem os descompassos
urgem ponto, parágrafo, sina, vida e morte
cantem o desenlace

10 comentários:

Jorge Pimenta disse...

é assim a tua poesia, amigo assis: feita de urgências maiores. como o homem e a sua condição, afinal.
urge abraçar-te!

dani carrara disse...

de todos os abrigos o desamparo
decanta os tudo

Everson Russo disse...

Urgem intensos acordes de amor a vida,,,ao coração...abraços de bom final de semana.

MIRZE disse...

Urge vida, Urge morte,,,sempre num canto com violino solo!

Maravilha!

Beijo

Mirze

Analuz disse...

Belíssimo!

Beijinho encantado, poeta Assis!

nina rizzi disse...

então disse o saí quando viu a serpente: se não responde

[...]

Cris de Souza disse...

Assim rouba-me o fôlego...

Beijo, mestre!

Rejane Martins disse...

desconcertante ária:
alinho compassos, embaraço enganos, encontro vários temperos, atino enlace - assossego.

Ingrid disse...

uau Assis!..
de emocionar ..
lendo e relendo em voz alta.. sentindo ..
beijos querido poeta!

Eurico disse...

Aos teus cuidados, a palavra cicia, enrosca-se e atinge o clímax.

Abç fraterno.