sábado, 6 de março de 2010

145 - Poema em efervescência II

Virgem de sedento poço
Atiço-me em léguas
Para verter esta sede

No retiro que se segue
da carne em doce coito
rendo-me em tréguas

faço no corpo a entrega
minh’alma em alvoroço
ajoelho-me em prece

fito a ternura desses pelos
beijo a ilha dos teus lábios
onde perdura todo o gozo

8 comentários:

Lou Vilela disse...

Assis, poema de efervescente beleza! A leitura inversa (de baixo para cima) me encantou ainda mais.

Abraços

Primeira Pessoa disse...

mudou a fotita,
man in black (and white)....
mas o conteúdo é vinho da mesma pipa...
é sempre bom lê-lo, poeta!

abração do
r.

Primeira Pessoa disse...

ah, li como leu a Lou... beleza na ida e na volta...

Jorge Pimenta disse...

Inquietantemente belo e sensual.
Especialmente ardilosa a gradação inversa que começa com a explosão de "atiço" para, paulatinamente, permitir sorver todo o jogo sensorial, numa gama crescente de sensações ("rendo-me", "ajoelho", "fito" e "beijo"). Como a Lou e o Roberto sugerem, a leitura inversa resulta igualmente muito bem; dois pormas num traço só!

Abraço, Poeta!

Lara Amaral disse...

Sensualidade à flor
da pele
retira-se
mistura aquosa
e sedenta.

Vc é fogo, Assis, rs =).

Beijo.

Moacy Cirne disse...

Você e o Balaio.
Hoje.

Um abraço.

Gerana Damulakis disse...

Ótimo.

Mai disse...

Vice e versa, inverti o verso e da cabeça aos pés ou dos pés a cabeça é belo, caliente, tem cheiro tem Eros.

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